Briga
de Google e Facebook piora
Redação
do DIARIODEPERNAMBUCO.COM.BR
17/01/2012
| 07h48 | Pedro Doria
Durante
toda a semana passada, inúmeras empresas tentaram emplacar nas páginas de sites
e jornais produtos pouco inspirados que exibiam na feira CES, em Las Vegas. A
primeira notícia relevante na tecnologia do ano, no entanto, estava acontecendo
a quilômetros dali, em Mountain View, Califórnia, na sede do Google. Foi o
lançamento de sua busca social. Despertou de presto acusações de prática
anticompetitiva, provocou uma investigação por parte do governo americano e,
discretamente, mudou por completo a maneira como o Google vê o conceito de
busca. A empresa não é necessariamente vilã nessa história. Mas, semana
passada, algo de profundo mudou na internet.
Busca
social é simples de explicar: o freguês digita o que procura, bate enter, o
Google responde com páginas, vídeos, notícias e, a partir de agora, aquilo que
seus amigos comentaram sobre o assunto nas redes sociais. Ou então recomenda
quem seguir nas redes que seja relevante quando se trata do assunto buscado. É
um serviço útil. Mas há um problema: todas as respostas estão no Google Plus, a
jovem e ainda um quê deserta rede social do próprio Google. Facebook ou Twitter
não aparecem.
Danny
Sullivan, editor do blog Search Engine Land e talvez o mais respeitado
jornalista especializado em buscas na rede, cita um exemplo pontual que deixa o
problema claro. Quem digita "Music", música em inglês, recebe as
recomendações de seguir as páginas no Google das cantoras Britney Spears e
Mariah Carey e do rapper Snoop Dogg. Uma cantora particularmente ativa nas
redes sociais como Lady Gaga não aparece. Ela é ativa no Twitter. Também não
aparece a moça Katy Perry, que tem 40 milhões de fãs no Facebook. Britney tem
apenas 1,4 milhão de seguidores na rede do Google. A relevância não é apenas
numérica. Britney atualiza pouco sua página no Google , e com razão. Tem 1,4
milhão de seguidores lá. Tem 16 milhões no Facebook. É bem menos do que Perry,
mas é onde seus fãs encontrarão mais notícias. O Google usa seu site de buscas
para promover a rede social do Google.
Aí
cabem duas perguntas. A primeira é: e daí? O Google faz o que quiser, a empresa
é dele, o mundo é competitivo. Assim, ao menos, poderia seguir um argumento. A
outra vai além: não foi o Facebook que, inicialmente, negou ao Google acesso a
seus dados? À segunda questão primeiro. Esta é uma briga boa e, dela, só temos
versões. É onde entra outro jornalista, o hoje empresário John Battelle, autor
de The Search, a primeira história do Google. A negociação entre as duas
empresas foi difícil. Segundo suas fontes no Facebook, o Google exigia que toda
informação fosse pública e se recusava a fazer mudanças conforme a política de
privacidade do site de relacionamento mudasse. Uma das preocupações do
Facebook: se o sujeito publicasse fotos que todos pudessem ver, o Google
indexaria as imagens. Se depois de um tempo ele mudasse de ideia, o Google
deveria apagar suas cópias. Parece razoável.
As
fontes no Google dizem que a conversa não foi nada assim. O Facebook, segundo
elas, queria proibir o Google de usar informação "disponível
publicamente" para criar um serviço de redes sociais. Aí, a interpretação
é o diabo. O que é um serviço de redes sociais? No limite, busca social pode
ser uma rede social. Também é razoável considerar que as condições faziam o
Google se sentir refém de qualquer mudança de humor do Facebook. Interpreta
como quer, quando quer.
E,
sim, o Google tem todo o direito de usar seu sistema de busca como deseja.
Inclusive para promover seus produtos. Mas este não é seu discurso. A empresa
sempre garantiu que seguia padrões da melhor imprensa. Dava como resultado de
busca o melhor da informação, não importa a origem. E sempre foi assim. Se o
melhor vídeo não estava no YouTube, seu site, era o melhor que aparecia não
importa a origem. O resultado da busca social já não segue mais este critério.
Então
algo de profundo mudou. Difícil dizer quem tem razão numa briga entre Facebook
e Google. Ambas competem duro. E, agora, usam suas armas a qualquer custo.
Da
Agência O Globo
Nenhum comentário:
Postar um comentário
obrigado por sua participação retornarei em breve