inflação sobe, mas segue dentro de parâmetros previstos
A inflação pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acelerou em outubro para o maior patamar desde junho, pressionada sobretudo por combustíveis e automóveis, mas a taxa em 12 meses foi a menor desde outubro de 2007. Os núcleos arrefeceram, e o fato de a inflação anualizada estar abaixo do centro da meta fez o mercado ver o dado de outubro sem preocupação.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que divulgou o IPCA nesta quarta-feira, avaliou que até o fim do ano o perfil da inflação será mantido, com alimentos e dólar contribuindo para segurar a taxa e os preços administrados puxando para cima. O indicador avançou 0,28% em outubro, ante alta de 0,24% em setembro. Analistas ouvidos pela Reuters esperavam 0,23%, segundo a mediana de 30 projeções, que oscilaram de 0,19 a 0,30%.
Segundo cálculos do mercado, os núcleos da inflação desaceleraram a alta: o por exclusão subiu 0,34% em outubro ante 0,35% em setembro, o por médias aparadas suavizado subiu 0,31% frente a 0,39% em setembro e o por médias aparadas não suavizado aumentou 0,28% ante 0,31% no mês anterior.
– O IPCA confirma que a inflação no Brasil continua sob controle, o que está em linha com o balanço de riscos benigno que o BC detalhou em seu relatório de inflação. Tal balanço de riscos não mudará dramaticamente nos próximos trimestres, nos fazendo manter um cenário benigno até 2011 – afirmou Alexandre Lintz, estrategista-chefe no Brasil do BNP Paribas.
Silvio Campos Neto, economista-chefe do Banco Schahin, também ressaltou o cenário benigno, mas notou algumas pressões que precisam ser observadas nos próximos meses.
– Algumas são claramente pontuais, como combustíveis e telefonia, que pegam reajustes que se dissipam nos próximos meses. Há também algumas pressões que podem ser duradouras, como vestuário, que tem uma parte sazonal mas que, se persistir, pode ser de demanda. Também artigos de residência, com a alta dos móveis... Não é nada preocupante, mas temos que observar nos próximos meses para ver se haverá uma intensificação – afirmou.
No ano até outubro, o IPCA acumulou alta de 3,5%. Em 12 meses, teve elevação de 4,17% --a mais baixa em dois anos.
Pressão
O IBGE também informou que a maior contribuição de alta para o IPCA de outubro veio dos combustíveis, que subiram 1,74%, com contribuição de 0,08 ponto percentual --sendo 0,04 ponto do álcool e 0,04 ponto da gasolina. Ainda dentro do grupo Transportes, os custos de automóveis novos aceleraram a alta para 1,08%, ante 0,67% em setembro, assim como os de seguros de veículos e tarifas de ônibus intermunicipais. A partir de outubro, começou a reversão gradual da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para o setor automotivo.
Assim, o grupo Transportes teve elevação de 0,51% no mês passado, frente a 0,27% no anterior.
Segundo a economista do IBGE Eulina Nunes dos Santos, a maior exportação de açúcar para suprir a quebra de safra na Índia impactou os combustíveis. Além disso, "com a queda do IPI, houve mais compra de carros novos e também movimento no mercado de usados. "Isso provocou também um aumento de demanda por álcool no país", acrescentou.
O aumento da tarifa de telefonia fixa, de 0,50% em outubro, frente a 0,32% em setembro, também pressionou. Outros grupos que afetaram o índice foram Vestuário, com avanço de 0,64% em outubro ante 0,58% no mês anterior, e Artigos de Residência, com alta de 0,38% frente a queda anterior de 0,03%. Os custos dos móveis subiram 0,34%. Os preços do grupo Alimentação e bebidas caíram em ritmo menor, em 0,09% no mês passando ante recuo de 0,14% no anterior.
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