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sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Após compulsório, ações de bancos são destaque de queda na Bolsa

Apesar das perdas dos papéis financeiros, o Ibovespa fechou em alta de 0,34%, aos 69.766; na semana, o índice subiu 2,2%
 As ações de bancos estiveram entre as maiores perdas da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) nesta sexta-feira, após a decisão do Banco Central (BC) de aumentar o depósito compulsório das instituições financeiras. Já o Ibovespa, principal índice da Bovespa, operava em baixa no início da sessão, mas inverteu o sinal durante a tarde e fechou em leve alta de 0,34%, aos 69.766 pontos. Na semana, o índice acumulou valorização de 2,2%.
Na manhã desta sexta-feira, o Banco Central (BC) decidiu aumentar de 15% para 20% a alíquota do compulsório sobre depósitos a prazo e de 8% para 12% a alíquota adicional de compulsório sobre depósitos à vista e a prazo. Com as mudanças, os bancos terão de recolher à autoridade monetária R$ 61 bilhões a mais.
Analistas afirmam que as medidas do BC impactam a bolsa de valores brasileira, principalmente as ações de bancos e ligadas ao consumo. No entanto, acreditam que o efeito deverá se restringir ao curto prazo.
"Como foi um aumento relativamente considerável, acaba impactando os bancos", diz Paulo Hegg, operador da corretora UM Investimentos. Ele acredita que os bancos deverão oscilar em terreno negativo no curto prazo, e que o setor de consumo também deve ser afetado pela retirada de crédito da economia. "As medidas acabam diminuindo a liquidez do mercado", afirma.

Victor de Figueiredo Martins, analista de bancos da corretora Planner, lembra que uma medida no sentido de conter a inflação já era esperada pelo mercado. Mas diz que o impacto, neste primeiro momento, é inevitável. No entanto, ele afirma que o efeito negativo para os bancos deve diminuir aos poucos. "Na prática, as insituições vão continuar a ganhar dinheiro, mas vão se ajustar de outras formas e vão tentar compensar a elevação do compulsório com um aumento de taxas, por exemplo."
Marco Aurélio Barbosa, analista-chefe da corretora Coinvalores, concorda. Segundo ele, as ações de bancos estão caindo porque, com a ação do BC, ficou no ar a expectativa de que devem vir novas medidas pela frente. “Elas não devem se limitar ao compulsório.” No entanto, apesar da ação do governo para limitar a concessão de crédito, ele avalia que o cenário para os bancos no longo prazo “continua muito bom”.
No final do pregão, as ações ordinárias do Banco do Brasil caíam 2,63%, para R$ 32,62, enquanto os papéis ordinários do Itau Unibanco perdiam 2,02%, para R$ 30,57, e os papéis ON do Bradesco tinham queda de 1,94%, para R$ 26,32. As units do Santander desvalorizavam cerca de 3,38%, para R$ 22,56.
Já o destaque de baixa do dia foi a ação da LLX Logística, empresa de Eike Batista, que perdia 40,70%, para R$ 4,79 no final dos negócios. No outro extremo, os papéis PORTX tinham valorização de 806%, para R$ 3,90. Os movimentos atípicos acontem em função de movimentos de reorganização societária.
Entre os ganhos do dia ficaram também as ações preferenciais da Petrobras, com alta de 1,19%, aos R$ 25,70, e da Vale, com valorização de 0,91%, a R$ 49,95.
Exterior
Na Ásia, as bolsas fecharam sem uma direção comum. Os dados mais recentes do mercado imobiliário americano e a disposição do Banco Central Europeu (BCE) de conter a crise na Europa acalmaram os mercados, mas não evitaram uma nova queda em Xangai e em Hong Kong.
Os principais índices do mercado acionário da Europa também não tiveram um rumo único no fechamento do dia, mas ficaram perto da estabilidade, pressionados pela divulgação de dados mais fracos que o previsto sobre o nível de emprego nos EUA, mas recebendo suporte de indicadores positivos sobre a atividade econômica na zona do euro.
Na Europa, as vendas no varejo subiram 0,5% na zona do euro em outubro e tiveram elevação de 0,4% na União Europeia no mesmo período. Os resultados representaram uma mudança de direção em relação a setembro, quando as vendas recuaram 0,1% nas duas regiões. No comparativo entre outubro deste ano e igual intervalo de 2009, as vendas no varejo tiveram ampliação de 1,8% tanto na zona do euro como na União Europeia.
Além disso, o setor de serviços da zona do euro apresentou em novembro sua maior expansão desde agosto, segundo levantamento do instituto de pesquisa Markit Economics. O Índice dos Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) de serviços, que mede a atividade do setor, passou de 53,3, em outubro, para 55,4, em novembro, acima também do dado preliminar para o mês, de 55,2.
Nos Estados Unidos, economia criou 39 mil vagas de trabalho em novembro, muito abaixo da expectativa do mercado (150 mil). A taxa de desemprego subiu de 9,6% para 9,8%, alcançando maior patamar dos últimos sete meses. Segundo relatório de economistas do Banco Fator, o consenso era estabilidade em 9,6%.
Na China, o Índice de Gerentes de Compra do setor de serviços recuou 7,3 pontos entre outubro e novembro, para 53,2. De acordo com a Federação de Logística e Compra do país (CFLP, na sigla em inglês), anda assim, a leitura superou a marca de 50, que expressa expansão. O indicador do HSBC para o segmento de serviços também registrou desaceleração, ao passar de 56,4, em outubro, para 53,1, um mês depois. O resultado de novembro foi o menor em quase dois anos.
Também na China, o Departamento Político do Comitê Central do Partido Comunista informou que o país terá uma política monetária mais prudente no próximo ano. Em encontro, presidido pelo dirigente Hu Jintao, ficou acertado que o país deve continuar com a política fiscal proativa em 2011. O trabalho no próximo ano deve estar voltado para a aceleração da transformação do padrão de desenvolvimento econômico e a macrorregulação deve ser "mais focada, flexível e efetiva", conforme comunicado divulgado pelo comitê do Partido Comunista.
Dólar
O dólar fechou abaixo de R$ 1,70 pela primeira vez em quase quatro semanas nesta sexta-feira, recuando pela quinta sessão consecutiva de olho na oscilação da divisa no exterior em meio a dados mais fracos nos Estados Unidos.
A moeda norte-americana fechou em queda de 0,94%, a R$ 1,687 na venda. É a primeira vez desde 9 de novembro que o dólar termina o dia abaixo de R$ 1,70.
(Com agências)

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