SÃO PAULO – Apesar de divergirem em relação ao PIB (Produto Interno Bruto) potencial da economia brasileira atualmente, economistas se mostraram céticos em relação à capacidade do Brasil de avançar de forma sustentável a taxas mais altas do que 5% sem novas reformas e aumento da capacidade de investimento do País.
Em debate promovido pela Western Asset em São Paulo nesta sexta-feira (3), Persio Arida, chairman do BTG Pactual Asset Management, Ilan Goldfajn, economista-chefe do Itaú Unibanco e Alexandre Schwartsman, economista-chefe do Santander Brasil, debateram os obstáculos que o Brasil enfrenta para manter o crescimento atual.
Arida, com um viés ligeiramente mais otimista do que o dos outros dois economistas, comentou a oportunidade “extraordinária” que o Brasil tem no momento para continuar crescendo, com um cenário internacional propício, em que a China não deve se desacelerar e os EUA retomam trajetória de expansão, embora a Europa ainda seja uma preocupação e deva sofrer um processo mais longo de correção das distorções promovidas pelo ciclo recente de endividamento.
A cena interna também oferece oportunidades, com normalização do funcionamento da economia, crescimento da participação do crédito sobre o PIB, retomada das hipotecas residenciais, embora este processo de aprofundamento financeiro esteja longe de ser completo. Por esses fatores, mesmo que não sejam implementadas nenhuma das reformas estruturais debatidas atualmente, como do sistema tributário e da previdência, Arida estima um PIB potencial para o Brasil na casa dos 5,5% ao ano.
Ajuste fiscal
Mas, para sustentar esse processo, será necessário um ajuste fiscal, com corte de gastos. Para manter a credibilidade e proporcionar um crescimento da magnitude anteriormente citada, a equipe econômica de Dilma Rousseff deverá reafirmar, no início do próximo ano, seu compromisso com a austeridade. Schwartsman concorda com a importância do ajuste das contas públicas, especialmente com o corte de gastos, e não aumento dos impostos, mas se mostra cético em relação à real implementação de tais medidas.
Para o economista-chefe do Santander, que trabalha com um PIB potencial entre 4% e 4,5% para o País, o Brasil não conseguirá crescer mais do que isso sem reformas. Apesar de elogiar microreformas do início do governo Lula, como introdução do crédito consignado, Schwartsman alertou para o fato de que “o esforço reformista está parado desde 2006”. Assim, o tempo para abrir uma empresa, o tempo necessário para pagar impostos, por causa da burocracia, precisam ser revistos. “O Brasil é um país condenado a reformas. E sou cético quanto à continuação delas, por isso vejo pouca chance de aceleração do PIB potencial”, declarou.
Investimentos
Goldfajn, do Itaú Unibanco, aprofundou um ponto no qual Schwartsman demonstrou preocupação, que é a necessidade de investimentos do País e o aumento do déficit em conta corrente para financiar esses investimentos. Para o economista-chefe do Itaú, o problema não será, nos próximos anos, demanda por financiamento, pois isso haverá de sobra com os projetos para exploração do pré-sal, investimentos em residências e a realização de Olimpíadas e Copa do Mundo no Brasil.
O problema é conseguir os recursos para esses investimentos, que terão que vir do setor externo, já que a poupança interna é insuficiente para magnitude dos investimentos necessários. O dinheiro vindo do exterior, no entanto, faz com que o déficit em conta corrente aumente. Para o economista, se esse déficit avançar para além de 4,5% do PIB, incitará dúvidas quanto à disposição do investidor estrangeiro em continuar a financiar o Brasil.
Ao mesmo tempo, a política fiscal e monetária contraditórias não contribuem para tornar mais rápido o aumento da capacidade de investimento do País, pois enquanto o Ministério da Fazenda pisa no acelerador, o Banco Central pisa no freio. Ainda assim, em até uma década, Goldfajn acredita em queda da taxa de juros real para próximo de 3%, comparável a dos outros mercados emergentes, com inflação na casa dos 3,5%.
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