PIB
brasileiro cresce menos que os de Rússia, China e Índia
Entre
todos os membros do Brics, grupo que reúne as maiores economias emergentes do
mundo (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), o PIB brasileiro só não
cresceu menos, no segundo trimestre deste ano, do que da África do Sul.
No
período, segundo cálculo da Consultoria Tendências com base no resultado do
Produto Interno Bruto (PIB) divulgado nesta sexta-feira pelo IBGE, o
crescimento anualizado do Brasil alcançou 3,2% - 0,2 ponto percentual acima do
registrado pela África do Sul (país incorporado ao grupo dos Brics em abril).
Ainda
que tenham crescido mais que o Brasil, China, Índia e Rússia também
experimentaram uma desaceleração do crescimento no segundo trimestre.
Contudo,
a desaceleração brasileira, de 1 ponto percentual em comparação com o
crescimento anualizado do PIB no primeiro trimestre, foi superior à de todos os
outros países.
Histórias
diferentes
Para
o economista Raphael Martello, da Tendências, mesmo que enfrentem uma
desaceleração conjunta, os membros dos Brics vivem histórias diferentes.
Ele
explica que a China e a Índia tradicionalmente têm taxas mais elevadas de
crescimento e que o consumo e os investimentos internos nesses países tendem a
mantê-las altas, apesar de medidas de aperto fiscal para controlar a inflação.
Já
Rússia e África do Sul são mais vulneráveis a variações nos preços de energia e
commodities, pois são grandes exportadoras desses recursos, e têm crescido a
taxas menores.
Segundo
Martello, no Brasil, a desaceleração no segundo trimestre refletiu os efeitos
da política monetária apertada desde o início do ano.
Na
última quarta-feira, o Banco Central começou a afrouxar o aperto ao interromper
um ciclo de alta na taxa básica de juros, a Selic, iniciado em janeiro.
No
período, a Selic – que serve de referência aos juros cobrados pelos bancos e
tem impacto nos níveis de investimento e consumo, afetando a inflação – passou
de 10,75% a 12,5%.
Na
última reunião, porém, citando preocupações com a piora da economia global e
seus possíveis efeitos no Brasil, o Banco Central baixou a taxa para 12%,
surpreendendo analistas, que esperavam a manutenção da taxa.
A
decisão foi tomada após o governo anunciar que ampliaria de R$ 81 bilhões para
R$ 91 bilhões a economia feita em 2011 para pagar a dívida pública, afirmando
que a medida ajudaria a conter a inflação e, por extensão, facilitaria a queda
dos juros nos próximos meses.
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