Federação
do comércio pede fim do IGP como indexador
A
Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo
(Fecomercio-SP) pediu na sexta-feira à presidente Dilma Rousseff e ao ministro
da Fazenda, Guido Mantega, que o governo federal descarte a família do Índice
Geral de Preços (IGP) como indexadora na economia nacional. Para a entidade, o
IGP está "ultrapassado" e tem "parâmetros questionáveis"
que, em certas ocasiões, alimentam a inflação por conta da sensibilidade a
choques cambiais e por possibilitar dupla incidência de preços no índice final.
O IGP, que muitas vezes possui média superior ao de outros índices de preços, é
utilizado para correção da dívida dos Estados, tarifas públicas e aluguéis.
"Suas
oscilações são provocadas por ocorrências pontuais e passageiras que
invariavelmente acabam por contaminar todos os demais preços na economia, uma
vez utilizado como correção de aluguéis (comerciais e residenciais) e das
tarifas públicas", afirma a Fecomercio-SP, em parecer enviado pelo
presidente da entidade, Abram Szajman, a Dilma e ao ministro. "Essa
acidentalidade, incorporada aos contratos, acaba por refletir-se
sequencialmente nos demais indicadores, como os do custo de vida, realimentando
a cadeia inflacionária."
O
IGP, calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) em três versões (IGP-M,
IGP-DI e IGP-10), é composto em 60% pelo Índice de Preços ao Produtor Amplo
(IPA), em 30% pelo Índice de Preço ao Consumidor (IPC) e em 10% pela variação
do Índice Nacional da Construção Civil (INCC), fórmula que permite a dupla
incidência de preços no índice final, segundo a federação. "Reunir 60% de
um com 30% de outro e 10% de um terceiro produz um resultado que não serve para
medir o todo nem cada uma de suas partes", alega a instituição.
Para
a entidade, há hoje outros indicadores de preços que dão espaço para a extinção
do IGP, que até o final dos anos 1970 era o indicador oficial da inflação no
Brasil, como aqueles voltados para o consumidor - Índice Nacional de Preços ao
Consumidor Amplo (IPCA), Índice Nacional de Preços Ao Consumidor (INPC), do
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, e Índice de Preços ao
Consumidor (IPC), da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) -, além
do Índice de Preços ao Produtor (IPP), do IBGE, que avalia os custos de
produção. "Os instrumentos de acompanhamento dos preços têm evoluído
muito, comprovando a fragilidade técnica do IGP", afirma a Fecomercio-SP.
Indexação
A
carta enviada ao governo federal defende, de modo geral, o fim da indexação da
economia brasileira, que segundo a federação contribui para o processo
inflacionário no País. Para a federação, a indexação que no passado permitiu o
funcionamento do mercado em momentos de alta inflação, hoje se transformou em
um "vício" da economia nacional, "acostumando os agentes
econômicos a fugirem do risco dos negócios".
A
Fecomercio-SP pede à União que avalie "as possibilidades de promover um
processo definitivo de desindexação no País, tanto para o setor privado quanto
para o público, substituindo-o pela liberdade plena de negociação contratual
entre as partes".
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