OCDE
vê IPCA alto e expansão menor do Brasil em 2012
A economia brasileira vai desacelerar em 2012,
e a inflação fechará o ano acima de 6 por cento, previu a Organização para a
Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) em relatório divulgado nesta
quarta-feira, no qual destacou a gravidade do cenário externo.
Em
um amplo estudo econômico sobre o país, a OCDE afirmou que também em 2013 a
inflação seguirá acima do teto da meta de 4,5, com o crescimento ganhando um
pouco de ritmo, mas ainda bem abaixo do estimado pelo governo.
"O
principal desafio macroeconômico consiste em dominar a inflação dentro de um
contexto de abundante liquidez mundial", afirmou a organização
intergovernamental, que reúne países industrializados
Os
prognósticos da OCDE geraram uma reação exaltada por parte do secretário de
Política Econômica do Ministério da Fazenda, Márcio Holland, que questionou a
"consistência macroeconômica" do relatório e afirmou que o governo
não deixará o país desacelerar em 2012 e 2013.
"Talvez
contaminados pela estreiteza da reação de países desenvolvidos, a OCDE não vê
que o Brasil tem plenos instrumentos para reagir ao momento atual", disse
Holland durante a apresentação do relatório.
Ele
também criticou o modelo econômico usado pela OCDE para estimar a inflação,
afirmando que no Brasil ele não é usado "nem por estudantes de
graduação".
O
Banco Central tem reiterado que a inflação, que hoje corre acima do teto de 6,5
por cento, pelo IPCA, da meta no acumulado em 12 meses, convergirá para o
objetivo central de 4,5 por cento já no ano que vem.
A
OCDE, contudo, estima que a inflação ao consumidor medida pelo IPCA chegará ao
final de 2012 em 6,2 por cento, fechando o ano seguinte em 5,1 por cento.
O
governo brasileiro espera que a economia cresça entre 3,5 por cento e 4 por
cento este ano, segundo o Ministério da Fazenda. Para 2012, a expectativa é de
expansão de 5 por cento, de acordo com projeto orçamentário encaminhado ao
Congresso em agosto. A OCDE, por outro lado, previu crescimento de 3,6 por
cento este ano, com desaceleração para 3,5 por cento no ano seguinte e expansão
de 4 por cento em 2013.
"Estamos
trabalhando com um cenário externo muito mais negativo do que o governo
brasileiro", afirmou o economista da OCDE Marcos Boturi ao justificar as
discrepâncias entre os prognósticos. Ele ponderou que, apesar da desaceleração,
o desempenho do Brasil em meio à crise tem sido bem superior à média global.
Para
garantir o crescimento de longo prazo, a OCDE defendeu a importância de o país
promover reformas mais amplas, como a previdenciária, que abriria espaço para
uma elevação dos investimentos em infraestrutura, hoje em níveis
"baixos".
Ainda
do lado fiscal, a entidade chamou a atenção para a importância de o Brasil
reduzir as vinculações das receitas orçamentárias e introduzir uma limitação ao
crescimento das despesas.
"Seria
completada uma primeira etapa nessa direção, se o limite de crescimento das
despesas com pessoal for adotado", afirmou a OCDE.
CONTROLE
CAMBIAL
A
OCDE informou ainda considerar "compreensíveis" as medidas adotadas
pelo governo brasileiro para restringir temporariamente a entrada de capitais
de curto prazo no país, dadas as incertezas na economia global.
A
referência aparentemente era à imposição pelo governo da taxação, com IOF, das
aplicações feitas por estrangeiros em renda fixa e dos empréstimos externos de
curto prazo.
"Mas
o Brasil deve confiar de maneira mais significativa na consolidação
fiscal", afirmou a entidade, ressaltando que o aumento da poupança pública
minimiza riscos associados aos grandes fluxos de capitais voláteis.
Entre
as recomendações de políticas para o Brasil, a OCDE citou o desenvolvimento do
mercado de capitais de longo prazo, a adoção de uma meta fiscal nominal, que
inclui também as despesas financeiras, e a minimização de riscos associados aos
grandes fluxos de capitais voláteis.
Por
Isabel Versiani
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