Quando
o tema é inflação, o Brasil é um alcoólatra em recuperação, diz Economist
Revista
britânica questiona se o Banco Central brasileiro perdeu a independência
operacional
"O
Banco Central perdeu a sua independência?”, indaga a Economist
São
Paulo – Uma reportagem da revista The Economist, que chega às bancas nesta
quinta-feira, questiona a mudança de rumo da política de juros no Brasil e
afirma que “quando se trata de inflação, o Brasil é um alcoólatra em
recuperação”.
Com
o título “Indefinição de mandato”, a matéria pergunta se o Banco Central brasileiro
estaria visando o crescimento econômico e não apenas o controle da inflação.
A
publicação britânica relembra o passado inflacionário do país e ressalta que a
taxa básica de juros começou a cair a partir de agosto, quando a inflação
acumulada em 12 meses estava acima do teto da meta, de 6,50%.
“Portanto,
está a presidente Dilma Rousseff, no cargo desde janeiro, dando prioridade para
outros objetivos, tais como sustentar o crescimento econômico e evitar a
sobrevalorização do câmbio, em vez de manter a inflação baixa? E o Banco
Central perdeu a sua independência?”, indaga a Economist.
A
reportagem coloca o ponto de vista do governo federal em relação ao tema,
enfatizando que a economia brasileira já está em desaceleração e que a crise
internacional terá um efeito desinflacionário no Brasil.
A
publicação destaca também algumas críticas do mercado em relação à decisão
“precipitada” do Banco Central de reduzir os juros num momento de inflação
elevada, e lembra que o salário mínimo terá uma reajuste de 14% em janeiro, o
que pode pressionar os preços.
No
último parágrafo, a revista britânica diz que o governo brasileiro pretende
reduzir a taxa de juros entre dois e três ponto percentuais – embora não haja
uma meta formal para isso – e lembra que outros bancos centrais, como o dos
Estados Unidos, têm duplo mandato (crescimento e controle da inflação). “Porém,
quando se trata de inflação, o Brasil é um alcoólatra em recuperação. O país
precisa do Banco Central para manter a inflação na linha.”
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