Brasil
não pode repetir 'duas décadas perdidas', diz Dilma sobre crise
A presidente Dilma Rousseff disse neste sábado
(19), em reunião com presidentes e representantes de dez países da África e
América Latina, em Salvador (BA), que vê na crise econômica internacional uma
"espécie de repetição" do que chamou de "nossas duas décadas
perdidas".
Nesses
casos, a recessão, segundo ela, foi imposta como uma saída para todos os
problemas.
"Nós
ficamos 20 anos no Brasil aceitando, de uma triste forma, que as conquistas
sociais fossem paralisadas pela necessidade de reciclagem das dívidas soberanas
da América Latina", afirmou. "Nós sabemos que esse processo não dá
certo, ele leva à recessão, ao desemprego, a perdas de direitos, mas não tira
os países da crise."
De
acordo com a presidente, só se sai da crise "adotando práticas corretas
práticas que não impliquem no desperdício dos recursos públicos, que impliquem
em disciplina, e combinadas com políticas de investimento, de expansão de
consumo e de inclusão social".
No
encontro, Dilma conclamou os países da América Latina e Caribe a uma ação
conjunta para o enfrentamento da crise. "Eu manifestei minha opinião no
G20, em Cannes, a preocupação do Brasil com o risco que a instabilidade, tanto
na eurozona quanto nos Estados Unidos, tem sobre nossos países, porque pode
prejudicar nossas conquistas sociais e agravar as desigualdades sociais e
raciais."
A
presidente lembrou que os países latinos têm "uma longa prática em relação
ao FMI [Fundo Monetário Internacional]", e disse que a experiência não foi
boa. "Nós só tivemos a possibilidade de crescer pelos nossos pés quando
conseguimos pagar o fundo monetário e, de fato, não ter mais de aceitar as suas
proposições".
No
final do seu discurso, Dilma relativizou e disse que "cada país é um país,
cada processo é um processo, cada tempo histórico é um tempo histórico".
"Nós levamos 20 anos [para começar a crescer]. Espero que os outros países
levem muito menos tempo do que nós", declarou.
ESCRAVIDÃO
Em
Salvador, a presidente participou do encerramento do Encontro Iberoamericano de
Alto Nível em comemoração ao Ano Internacional dos Afrodescendentes.
No
encontro, foi proposta a criação de um fundo internacional para financiar
políticas públicas de compensação e reparação racial em países com formação
afrodescendente.
Dilma
disse que a desvalorização do trabalho foi fruto da escravidão no Brasil.
"A invisibilidade dos pobres e dos miseráveis do Brasil e a visão de que
era possível o país crescer e se desenvolver sem incluir, sem distribuir renda
(...) foi a herança mais dramática" daquele período, declarou ela.
Segundo
a presidente, o combate à pobreza, geração de emprego e a proteção da saúde
materno-infantil são, hoje, "importantes fatores de inclusão social dos
afrodescendentes, até porque, no Brasil, a pobreza tem a sua face, negra e
feminina, e muitas vezes infantil". "E resgatar essas populações é o
objetivo central do meu governo, em continuidade do governo do presidente
Lula."
Fonte:
JL/Folha
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