Desigualdade
social e econômica no Brasil faz IDH diminuir cerca de 30%
A desigualdade na distribuição de renda no
Brasil faz com que o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) 2011 do país fique
27,7% menor. Conforme ranking divulgado hoje (2) pelo Programa das Nações
Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), o Brasil registrou IDH de 0,718 neste
ano, marca que situa o país no grupo dos países com desenvolvimento humano
elevado.
O
IDH Ajustado à Desigualdade (Idhad) foi criado pelo Pnud em 2010 para retratar
como as desigualdades internas podem limitar o desenvolvimento humano nos
países. Enquanto o IDH clássico é um índice potencial, o Idhad retrata melhor a
situação real de um país.
“É
uma questão de conceito. Não basta viver em uma sociedade que tenha, na média,
um bom indicador de saúde, de renda, de educação, mas na qual as pessoas
convivam com diferenças no dia a dia. Conceitualmente, é relevante considerar a
desigualdade”, explicou o economista do Relatório de Desenvolvimento Humano
brasileiro, Rogério Borges de Oliveira.
No
Brasil, quando o IDH é ajustado para as desigualdades internas de educação,
saúde e renda, cai de 0,718 para 0,519, resultado próximo ao de países como a
República Dominicana e o Suriname.
O
impacto negativo da desigualdade no IDH do Brasil, de 27,7%, é maior que a
média de perda global, de 23%, e a dos países da América Latina, de 26,1%. Os
países que mais perdem com a desigualdade são a Namíbia (em que o Idhad é 43,5%
menor que o IDH), Serra Leoa (queda de 41,6%), a República Centro-Africana
(queda de 40,6%) e o Haiti ( queda de 40,2%).
Para
calcular o IDH ajustado à desigualdade, o Pnud considera as mesmas dimensões
utilizadas no IDH original: saúde, conhecimento e renda. No caso brasileiro, o
maior responsável pela perda por causa
da desigualdade é o quesito renda.
Segundo
Oliveira, o Brasil e os outros países da América Latina têm avançado atualmente
na redução das desigualdades. Para ele, o impacto dos programas de
transferência de renda deverá refletir-se no índice nos próximos anos. “O IDH
não é o melhor instrumento para avaliar políticas públicas no curto prazo. Mas
espera-se que, a cada cinco ou dez anos, já tenhamos impacto dessas políticas
no índice”.
O
Pnud também divulgou hoje o Índice de Pobreza Multidimensional (IPM), que vai
além da renda e avalia privações nas áreas de saúde, educação e padrão de vida
para avaliar se uma pessoa é pobre. O índice considera privações em dez
indicadores, como nutrição, acesso à água potável, saneamento, acesso à energia
e anos mínimos de escolaridade. É considerado multidimensionalmente pobre o
indivíduo privado de pelo menos um terço dos indicadores.
No
Brasil, segundo o Pnud, 2,7% da população estão nesse tipo de pobreza. São
cerca de 5 milhões de pessoas. Outros 7% da população correm o risco de entrar
nessa condição, de acordo com o levantamento.
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