Produção
industrial cai pelo segundo mês seguido
Um
cenário preocupante para as indústrias. É o que aponta pesquisa sondagem industrial,
divulgada ontem pela Confederação Nacional da Indústria, que mostrou, em
outubro, retração na produção, pelo segundo mês consecutivo, estoques acima do
planejado pelas fabricantes e início de demissões.
Para
o economista da CNI Marcelo Azevedo, já era esperada redução na fabricação,
para ajustar os estoques, que estavam elevados. O indicador da atividade
registrou 48,8 pontos (em escala que vai de zero a 100, abaixo de 50 indica
retração) mas, mesmo assim, as empresas permanecem acumulando mercadorias.
O
acúmulo de produtos estocados preocupa, pois deve reduzir ainda mais a
produtividade da indústria nos próximos meses, segundo Azevedo.
Além
disso, a utilização da capacidade instalada ficou abaixo do usual para o mês,
com 43,9 pontos, o menor índice desde junho de 2009.
Outro
aspecto do estudo, que também gera temores da entidade, diz respeito aos
empregos. As vagas começaram a recuar em outubro. O indicador caiu de 50,3
pontos em setembro para 49,1 pontos. A maioria dos setores analisados na
pesquisa já começa a reduzir seu quadro de pessoal, relata Azevedo.
OTIMISMO
MENOR - Essa retração contínua da atividade industrial afeta as expectativas
dos empresários para os próximos seis meses. O índice ficou em 53,3 pontos em
novembro e é o menor desde 2009. O otimismo em relação à demanda está cada vez
menos disseminado na indústria, destaca a sondagem.
Os
demais índices de expectativas - em relação a compras de matérias-primas,
número de empregados e quantidade exportada - se reduziram, ficando abaixo da linha
dos 50 pontos, o que sinaliza pessimismo dos empresários para os próximos seis
meses.
Azevedo
diz que, apesar das expectativas serem afetadas pela sazonalidade - os últimos
e os primeiros meses do ano são mais fracos para a indústria, porque já foram feitas
as entregas das vendas natalinas -, neste mês estão muito abaixo do registrado
em novembro de 2010. "Com os estoques se acumulando significativamente,
não faz sentido as empresas comprarem matérias-primas nem contratar", diz
o economista da CNI.
INCERTEZAS
- Para o diretor adjunto da regional do Centro das Indústrias no Estado de São
Paulo em Santo André, Shotoku Yamamoto, se por um lado a queda da taxa básica
de juros ajuda a desvalorizar o real, favorecendo os exportadores, a crise
europeia pode afetar o País, diminuindo a demanda no Exterior e restringindo o
crédito, como ocorreu em 2008.
Outro
problema, segundo ele, é a perspectiva de crescimento menor na China, o que
afetará a venda de commodities (produtos básicos, como minério e petróleo) do
Brasil para aquele mercado.
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