Translate

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Proposta de referendo coloca em xeque resgate da Grécia


Proposta de referendo coloca em xeque resgate da Grécia
O Ibovespa, índice de referência da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), registrou baixa de 1,74%, aos 57.322 pontos, nesta terça-feira de fortes quedas nos mercado globais, após o anúncio surpreendente do primeiro-ministro da Grécia, George Papandreou, sobre a convocação de um referendo sobre o pacote de ajuda ao país. O dólar comercial fechou em alta de 1,94%, a R$ 1,735 na compra e R$ 1,736 na venda, após registrar alta de 3,46% na máxima da manhã. O dólar turismo saltou 2,22% no Rio de Janeiro, sendo encontrado a R$ 1,84 nas casas de câmbio e bancos.
As bolsas da Europa registraram quedas de cerca de 5% e o Ibovespa chegou a cair 3,84% na mínima do dia. Rumores de que o referendo poderia ser engavetado, após declarações de um integrante do partido governista grego à agência Dow Jones Newswires, contribuíram para reduzir perdas no meio da tarde, mas um porta-voz confirmou as intenções do governo pouco antes do fechamento dos pregões. Ainda assim, na segunda e na terça-feira, a Bolsa praticamente apagou os ganhos de quinta e sexta-feira passadas.
Um resultado negativo num referendo na Grécia colocaria em xeque o plano europeu apresentado após a reunião de líderes na semana passada. Segundo o governo grego, o referendo ocorreria só em janeiro. Na próxima sexta-feira, Papandreou tentará obter um voto de confiança no Parlamento. Integrantes do partido governista pediram a renúncia do primeiro-ministro.
Como reação à decisão da Grécia, a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, e o presidente da França, Nicolas Sarkozy, disseram que travariam conversas de emergência sobre o socorro ao país com a União Europeia, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e os líderes da zona do euro na quarta-feira. Eles também devem se encontrar com representantes do governo grego antes do encontro do G-20 (grupo dos 20 países mais ricos) na quinta-feira, em Cannes, na França.
Segundo Sarkozy, o pacote de resgate da Grécia é a única via possível para resolver a crise da dívida do país. Ele afirmou que a ideia do referendo "surpreendeu toda a Europa" e que as duas maiores economias do continente concordaram em liderar as instituições europeias "para examinar as condições" sob as quais agora o plano deve ser levado adiante.
"A volatilidade está muito grande hoje. Rumores e a ação de Merkel e Sarkozy reduziram as perdas, mas investidores já estavam receosos com a falta de detalhes sobre o plano europeu", diz Luís Gustavo Pereira, da corretora Um Investimentos.
Antes dos rumores dos fins dos pregões nas Américas, os principais índices da Europa desabaram. Em Londres, o FTSE 100 caiu 2,11%. Em Paris, o CAC 40 recuou 5,38%. Em Frankfurt, o DAX tombou 5%. Em Madri, a queda foi de 4,19% no índice IBEX 35. Em Milão, o FTSE MIB desabou 6,80%.
Bancos europeus, com grande exposição aos títulos da dívida grega, puxaram as baixas e apagaram os ganhos de quinta e sexta-feira passadas nos dois pregões desta semana. É o caso dos franceses BNP Paribas, Société Générale e Crédit Agricole e do alemão Deutsche Bank.
"O mercado subiu em outubro embalado pelas negociações sobre a Grécia e a aprovação de um acordo por líderes da zona do euro. E agora, de repente, tudo pode ir por água abaixo", explica Luciano Rostagno, estrategista-chefe do banco WestLB do Brasil. "Os investidores temem o calote, o que colocaria em risco a situação dos bancos europeus".
O pessimismo de investidores na Bovespa seguiu o movimento nos Estados Unidos. Em Wall Street, o Dow Jones (principal índice da Bolsa de Nova York) recuou 2,48%. O S&P 500, que engloba as 500 principais empresas dos EUA, caiu 2,79%. O Nasdaq, termômetro do setor de tecnologia, retrocedeu 2,89%.
Na semana passada, os líderes da zona do euro concordaram em conceder a Atenas um segundo pacote, de 130 bilhões de euros, e a anistia de 50% de sua dívida. O governo grego quer colocar as medidas em consulta popular porque exigem um programa de cortes de gastos bastante impopular, que já desencadeou uma onda de protestos entre os gregos.
O primeiro-ministro da Grécia se comprometeu a convocar o referendo em discurso a parlamentares do dividido Partido do Movimento Socialista Pan-Helênico (Pasok) na noite de segunda-feira, mas não falou em data específica para a votação. Papandreou disse que precisava de maior apoio político para as medidas fiscais e as reformas estruturais exigidas pelos credores internacionais.
"Temos fé nos nossos cidadãos. Acreditamos no seu juízo e, portanto, na sua decisão", disse Papandreou, após rejeitar pedido para antecipar as eleições. "Todas as forças políticas do país devem apoiar as exigências do pacote de resgate. Os cidadãos vão fazer o mesmo assim que tiverem integralmente informados".
Setor de commodities lidera queda
No mercado doméstico, as ações de empresas produtoras de commodities (matérias-primas com cotação internacional) e do setor de construção lideraram as quedas. Na China, o índice dos gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) recuou para 50,4 em outubro, de 51,2 em setembro, abaixo das previsões. O nível de atividade econômica chinesa impacta diretamente os preços das commodities e empresas produtoras desses insumos têm grande peso na Bolsa brasileira.
OGX Petróleo ON (ordinária, com voto) recuou 1,76%, a R$ 13,95. Vale PNA (preferencial, sem voto) perdeu 0,98%, a R$ 40,40, enquanto Petrobras PN teve queda de 0,89%, a R$ 21,13. Entre as construtoras, PDG ON caiu 3,30%, a R$ 7,32. A maior queda no Ibovespa foi JBS ON, que recuou 8,33%, a R$ 4,73.
"As construtoras subiram bem em outubro e investidores aproveitam para embolsar lucros", explica o estrategista de varejo da corretora Ágora, José Francisco Cataldo, completando que os papéis do setor de construção estão entre os mais voláteis da Bolsa.
Dólar em alta em todo o mundo
Com a reviravolta provocada pelo anúncio do governo grego, o dólar se valoriza fortemente os mercados de câmbio. O euro recuou 1,13% perante a moeda americana, segundo a agência Bloomberg News.
No mercado local, segundo o gerente de câmbio da corretora Icap Brasil, Ítalo Abucater dos Santos, o movimento está de acordo com o dia de fuga de ativos de risco. Com isso, os grandes compradores de dólar são os investidores estrangeiros.
"A preocupação dos investidores está voltada para a Europa", diz Santos.
José Carlos Amado, operador de câmbio da corretora Renascença, chama atenção ainda para a forte volatilidade no câmbio. Para ele, o nível em torno de R$ 1,75 (a máxima foi de R$ 1,763) trouxe vendedores para o mercado e impediu valorização maior.
á na avaliação de Santos, da Icap Brasil, a euforia da semana passada foi exagerada, baseada na crença de que havia coisas resolvidas na crise europeia, mas o plano foi anunciado sem detalhes. Por isso, o otimismo de outubro, quando o Ibovespa registrou alta mensal de 11,49% e o dólar comercial recuou 9,46%, pode ter sido pontual.
Da Agência O Globo

Nenhum comentário:

Postar um comentário

obrigado por sua participação retornarei em breve