Vazamento
ocorreu por erro técnico, diz ANP
Um
vazamento na extremidade do revestimento (sapata) de um dos poços perfurados
pela Chevron, na Bacia de Campos, permitiu que o óleo escapasse, afirmou o
diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Haroldo Lima.
Isso
significa que o vazamento ocorreu provavelmente por erro de operação do poço e
não por falha natural alheia à responsabilidade da empresa. Lima afirma que
serão aplicadas "multas pesadas" pelo acidente, mas os valores só
serão definidos depois de controlado o vazamento.
Lima
diz que parte do óleo extraído da jazida escapou por esse "furo" na
sapata do poço, atravessou uma falha geológica e desembocou no assoalho
oceânico. "A prioridade é controlar o vazamento. O processo de cementação
do poço será feito em quatro etapas. A primeira delas, concluída na
quarta-feira, foi um sucesso." A Chevron afirmou que não concluiu a
apuração sobre as causas do vazamento e, por isso, não se manifestou sobre as
declarações de Lima.
O
chefe da Delegacia de Meio Ambiente e Patrimônio Histórico da Polícia Federal,
Fábio Scliar, que abriu inquérito para investigar o episódio, diz que vai
intimar diretores da Chevron para esclarecer "inconsistências" nas
informações prestadas.
"Até
agora, a única fonte é a própria empresa, que já deu várias informações
desencontradas. A falta de transparência dos órgãos oficiais é um absurdo. É o
fim do mundo o Ministério do Meio Ambiente não se pronunciar para dar uma
satisfação à sociedade", reclama Leandra Gonçalves, coordenadora da
campanha de oceanos do Greenpeace.
Em
nota, a ANP informa que "imagens submarinas aparentemente indicam a
existência de um fluxo residual de vazamento. A mancha de óleo continua se
afastando do litoral e se dispersando, como é desejado".
Fábio
Scliar, da PF, espera o laudo pericial encomendado a um oceanógrafo para
intimar diretores da Chevron. Ele sobrevoou a região na terça-feira e ouviu
cerca de 15 funcionários do navio-plataforma no local.
"O
engenheiro responsável não tem experiência em gerenciamento de crise, e a
informação que recebemos é que o perito americano contratado disse que não há
previsão para sanar o problema. Só vimos um navio atuando na contenção do
vazamento, e não 17, como a empresa havia dito. Eles têm de explicar esses
pontos", afirmou Scliar.
Os
responsáveis pela plataforma podem ser indiciados pelo crime de poluição e, se
condenados, estão sujeitos a penas que variam de 1 a 5 anos de prisão.
Críticas.
O oceanógrafo Luís Melges, professor da Universidade do Estado do Rio de
Janeiro (Uerj), critica a falta de um Plano Nacional de Contingência, que
começou a ser discutido em 2000, quando houve um vazamento na Baía de
Guanabara, e não foi concluído. "Esse plano permite que medidas sejam
tomadas imediatamente, sem precisar discutir passo a passo. Não há regra do
jogo estabelecida, 11 anos depois", afirma.
Hoje,
haverá um sobrevoo com técnicos da Marinha, ANP, Ibama e Instituto Estadual do
Ambiente. O secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, diz que cobrará da
Chevron reparação: "Aquela região é rota migratória de mamíferos marinhos.
E a época da migração é exatamente agora. Vamos cobrar reparação para programas
de biodiversidade."
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