Venda
de materiais de construção crescerá menos em 2011
(Reuters)
- O faturamento da indústria de materiais de construção deve crescer menos que
a metade do inicialmente previsto pela entidade que representa o setor,
Abramat, este ano, chegando a um aumento de 4 por cento ante 2010.
Nesta
terça-feira, a Abramat reduziu, pela terceira vez este ano, a estimativa de
crescimento das vendas de materiais no fechado de 2011. A entidade iniciou o
ano com previsão de alta de 9 por cento para as vendas do setor, diminuindo a
meta para 7 por cento, e depois para 5 por cento.
No
acumulado de 2011 até setembro, as vendas do setor estão 2,2 por cento
superiores em relação ao ano passado, quando o faturamento cresceu 12,14 por
cento.
A
desaceleração, segundo o presidente da Abramat, Walter Cover, pode ser
atribuída a uma combinação de fatores, com destaque para as medidas adotadas
pelo governo desde o final de 2010 para conter a inflação. Ele citou ainda
fatores cambiais e os elevados custos, principalmente de mão de obra, que
pressionaram o setor.
"A
indústria manteve o otimismo quanto a investimentos em expansão, se preparando
para uma demanda que não veio", disse Cover, acrescentando que a alta base
de comparação anual também pesou contra o setor.
Nesse
sentido, a Abramat prevê que as vendas cresçam 4 por cento sobre 2010, em
termos reais, sendo que as vendas de materiais de acabamento devem aumentar
entre 8 e 9 por cento e as de itens básicos, até 1 por cento.
Já
para 2012, a entidade projeta uma retomada do ritmo de crescimento, com
expectativa de aumento nominal (sem descontar a inflação) entre 9 e 11 por
cento. Este ano, o aumento nominal deve ser de cerca de 8 por cento.
"A
base de crescimento de 2011 é baixa, permitindo crescimento acima do PIB
(Produto Interno Bruto brasileiro)", afirmou Cover.
Ele
apontou entre os fatores positivos para o próximo ano a realização de eleições
municipais, "com fortes contratações (de obras) até março", os
projetos do programa "Minha Casa, Minha Vida", as obras relacionadas
à Copa do Mundo e às Olimpíadas, além do elevado nível de emprego e renda da
população, "indicador fundamental para o varejo de materiais".
DÉFICIT
COMERCIAL
Um
dos aspectos críticos apresentados pela Abramat em relação ao desempenho do
setor em 2011 foi o elevado déficit da balança comercial da indústria que, até
setembro, somou 1,5 bilhão de dólares, podendo alcançar 2 bilhões de dólares no
fechado do ano.
Em
2010, o déficit comercial do setor foi de 1,6 bilhão de dólares. Segundo Cover,
a previsão é de que as importações de materiais somem 7 bilhões de dólares este
ano, equivalentes a mais de 10 por cento das vendas da indústria.
"O
setor continua crescendo, mas a preocupação com importações vem se traduzindo
em números", disse a economista da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Ana
Maria Castelo. "O varejo vem crescendo em ritmo mais forte que a
indústria".
Até
agosto, o volume produzido pela indústria de materiais acumula alta anual de 4
por cento, enquanto o volume de vendas no varejo é 12,5 por cento superior,
exigindo um aumento das importações para atender a demanda.
A
Abramat apresentou nesta terça-feira, em parceria com a FGV, estudo que revelou
que a cadeia produtiva da construção representou 8,1 por cento do PIB
brasileiro em 2010.
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