Copom:
há alta probabilidade de Selic a um dígito
O
Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central sinalizou que a taxa
básica de juros do país –nesta quinta-feira em 10,50% ao ano- caminha para
chegar a um dígito e que o cenário de inflação ainda mostra sinais mais
favoráveis.
O
Copom sinalizou que a taxa básica de juros do país caminha para chegar a um
dígito e que o cenário de inflação ainda mostra sinais mais favoráveis
Segundo
a ata do Copom publicada nesta quinta-feira, o aumento na oferta de poupança
externa e a redução do seu custo de captação têm contribuído para a redução das
taxas de juros domésticas. O comitê considera ainda, segundo o documento, que o
processo de redução dos juros foi favorecido por mudanças na estrutura dos
mercados financeiros e de capitais, bem como pela geração de superávits
primários.
- O
Copom atribui elevada probabilidade à concretização de um cenário que contempla
a taxa Selic se deslocando para patamares de um dígito- traz o documento.
Na
semana passada, o Copom voltou a reduzir a Selic em 0,5 ponto percentual, o
quarto corte seguido dessa magnitude desde agosto passado, quando deu início ao
processo de afrouxamento monetário.
Na
ata, o comitê entende que aumentou, em relação à última reunião de novembro, a
probabilidade de os preços se situarem ao redor do valor central de 4,5% neste
e no próximo ano.
- O
Comitê nota que, no cenário central com que trabalha, a taxa de inflação
posiciona-se em torno da meta em 2012, e são decrescentes os riscos à
concretização de um cenário em que a inflação convirja tempestivamente para o
valor central da meta- informou o documento.
A
meta oficial do governo é de 4,5% pelo IPCA, com margem de dois pontos
percentuais para mais ou menos.
Na
ata, o Copom reforçou que é preciso um ambiente de contenção das despesas
públicas para conter a demanda agregada e atacar a deterioração do cenário
internacional. “Esses elementos e os desenvolvimentos no âmbito parafiscal são
parte importante do contexto no qual decisões futuras de política monetária
serão tomadas, com vistas a assegurar a convergência tempestiva da inflação
para a trajetória de metas”, traz ata da última reunião.
O BC
sublinhou que considera para suas previsões o cumprimento da meta cheia de
superávit primário -economia feita pelo setor público para pagamento de juros-
de R$139,8 bilhões, sem ajustes, em 2012. E a geração de superávit primário de
3,10% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2013, também sem ajustes.
O
economista-chefe da corretora Raymond James, Mauricio Rosal, disse que a ata,
ao citar a probabilidade elevada de os juros caírem para um dígito, foi
contraditória com os sinais dados pelo BC até agora, lembrando o último
Relatório Trimestral de Inflação de dezembro, quando a autoridade monetária
chegou a indicar a possibilidade de elevar novamente a Selic por pressões
inflacionárias.
- A
mensagem do parágrafo 35 (na ata, sobre a “elevada probabilidade” de que Selic
caia a um dígito) também está em contradição com as projeções do documento. Se
havia alguma dúvida sobre a disposição do Banco Central em puxar a taxa para um
dígito, acho que isso muda bastante. As taxas curtas (no mercado futuro) vão
cair e as longas subir- afirmou.
O
Copom avalia ainda que a demanda doméstica continua robusta. “Especialmente o
consumo das famílias, em grande parte devido aos efeitos de fatores de
estímulo, como o crescimento da renda e a expansão do crédito”, afirmou a ata.
No documento,
o BC sustenta que ambiente favorável ao consumo “tende a prevalecer neste e nos
próximos trimestres, quando a demanda doméstica será impactada pelos efeitos
das ações de política monetária recentemente implementadas”.
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