Ministro
da Previdência anuncia restrições para pensão vitalícia
Mudança
O
privilégio das pensões concedidas pela vida toda mediante o pagamento de poucos
meses de contribuição vai acabar, avisou ontem o ministro da Previdência
Social, Garibaldi Alves. Além disso, o benefício será extinto quando o
contribuinte se casar novamente. Tão logo for aprovada a proposta que cria o
polêmico fundo de pensão para os servidores públicos — o que deve acontecer até
março — o governo vai encaminhar ao Congresso Nacional um projeto de lei
ordinária para fechar as brechas que fazem da concessão no Brasil uma das mais
generosas em todo o planeta.
“Vamos
propor mudanças no regime de pensões, que é de uma generosidade ímpar”, garantiu
o ministro. Entre os abusos legais, Garibaldi citou também o fato de a pensão
não ser extinta nem mesmo diante de um novo casamento do beneficiário. “Isso
não ocorre em nenhum outro lugar do mundo.” Se depender do governo, assim que
se casar de novo, o viúvo ou a viúva perderá o benefício. Ao todo, as pensões
custaram R$ 71,9 bilhões aos cofres da União em 2011.
Carência
Nas
palavras do ministro, “casamento previdenciário é aquele em que o sujeito já se
casa com uma vela na mão”, esperando a morte do cônjuge. Ele ocorre porque, no
Brasil, não existe um período de carência para a concessão das pensões. Com o
pagamento de uma única contribuição pelo valor máximo permitido — 20% sobre o
teto do salário de contribuição, que é de R$ 3.916,20 para o segurado autônomo,
por exemplo —, a viúva ou o viúvo terá uma pensão nesse valor por toda a vida.
A
ideia não é acabar definitivamente com a pensão vitalícia, mas estabelecer um
prazo mínimo de contribuição para que se tenha direito a ela. O ministro disse
que a Previdência Social, que vem registrando sucessivos superavits na área
urbana e tem conseguido reduzir o deficit na conta geral, não aguenta a
situação atual por muito tempo. “Como está, é uma sangria que já está custando
R$ 60 bilhões ao ano”, disse Garibaldi, referindo-se à despesa do Instituto
Nacional do Seguro Social (INSS) com o pagamento de pensão por morte
anualmente.
Injustiça
Pelos
dados da Previdência Social, a despesa com pensões responde por cerca de 25% do
total. A Previdência gastou, no ano passado, R$ 287,7 bilhões com o pagamento
de 25 milhões de benefícios. Desse total, as pensões somam 6,9 milhões. Nesse
número, estão incluídas as concedidas depois de uma vida inteira de
contribuição e as aprovadas com um ou poucos meses de sacrifício. O ministro
Garibaldi Alves considera essa disparidade uma injustiça. Embora o governo
tenha consciência da situação há muito tempo — um diagnóstico completo foi
feito no ano passado —, ele alegou que existe uma estratégia para tratar do
tema previdenciário: mandar uma proposta ao Congresso de cada vez. Por isso, a
Previdência espera concluir a votação do projeto que cria o fundo de pensão dos
servidores públicos, em tramitação desde 2007, para encaminhar a nova proposta.
Garibaldi está convencido de que o fundo será votado logo. “A oposição se
comprometeu a não mais obstruir e o fogo amigo apagou”, disse.
Redação
do DIARIODEPERNAMBUCO.COM.BR
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