Sem
surpresa, BC corta Selic para 10,5% ao ano
Esta
foi a 4ª redução consecutiva na taxa, desde agosto do ano passado. Novos cortes
devem ocorrer
Brasília.
Na primeira reunião do ano do Copom, comitê que define o rumo dos juros no
país, os diretores do Banco Central reforçaram a sinalização de que o espaço
para cortes na taxa Selic ao longo de 2012 diminuiu. Sem surpresas e em linha
com o recado dado no último relatório de inflação, divulgado no final de
dezembro, o BC anunciou ontem, queda de mais 0,5 ponto percentual na taxa que
serve de referência para toda economia.
Foi
a quarta redução consecutiva desde agosto de 2011 e levou a Selic a 10,5% ao
ano. No comunicado, os diretores mantiveram a argumentação de que "um
ajuste moderado na taxa básica de juros é consistente com o cenário de
convergência da inflação para a meta em 2012".
Dúvidas
A
maior dúvida do mercado é quantos novos cortes ainda poderão vir. Até o final
do ano passado, o BC considerava que ainda havia espaço para quedas
"moderadas" dos juros em 2012.
Na
virada do ano, começou a mostrar preocupação com a inflação, sobretudo no
segundo semestre de 2012, quando a economia deverá estar mais aquecida. Isso
colocou em dúvida se os juros poderão chegar a um dígito no curto prazo. Nas
projeções iniciais do mercado, a Selic poderia cair para 9,5% no meio do ano,
ficando inalterada até dezembro.
Para
o BC, a crise internacional deverá ter um forte impacto no crescimento de boa
parte do mundo rico. O risco de importantes economias da Europa enfrentarem
recessão ajuda a conter os preços aqui no Brasil. O crescimento brasileiro
deverá ser sustentado pelo mercado interno, estimulado por crédito e consumo.
Para a economista Zeina Latiff, com o cenário internacional ainda muito
incerto, o BC deve "deixar a porta aberta" para novos cortes.
"Os
riscos para inflação ainda não são tão elevados e o cenário internacional
contribui para redução dos preços no Brasil", avalia. Por outro lado, ela
diz que a economia brasileira não está tão recuperada. "O crédito vai
crescer num ritmo mais lento e isso reduz a capacidade de as quedas de juros
estimularem a economia", afirma, ressaltando que, com isso, podem ser
necessários mais cortes.
Baixo
impacto
A
redução da taxa básica de juros, a Selic, em 0,5 p.p. (ponto percentual) terá
um efeito pequeno nos juros das operações de crédito para consumidores e
empresas, segundo análise da Anefac (Associação Nacional de Executivos de
Finanças, Administração e Contabilidade).
Segundo
a Anefac, este fato ocorre porque existe uma diferença "muito grande entre
a taxa Selic e as taxas de juros cobradas aos consumidores que, na média da
pessoa física atingem 114,84%, ao ano, provocando uma variação de mais de 900%,
entre as duas pontas".
De
acordo com as simulações feitas pela Anefac, a taxa média das operações para os
consumidores, atualmente em 6,58% ao mês, deve cair apenas 0,04 p.p. (para
6,54%) com o corte anunciado ontem.
Rotativo
Entre
as taxas para as pessoas físicas, os juros do cartão de crédito devem cair de
10,69% ao mês, para 10,65%.Para as empresas, a taxa média deve cair de 3,87%
para 3,83% ao mês.
OPINIÃO
DO ESPECIALISTA
A
crise é que está ditando as taxas de juros
Essa
redução já era esperada, seguindo uma trajetória de queda da taxa Selic que
tende a continuar, podendo chegar a 10% e até a 9,5%, ao ano, dependendo do
acirramento da crise econômica europeia. Quanto maior a crise, mais o Brasil
terá condições de reduzir as taxas de juros, como forma de promover e estimular
a economia interna. A crise é quem está ditando o fluxo das taxas de juros.
Apesar de novo recuo nas taxas, não acredito que haja redução no volume de
investimentos externos no Brasil, porque nossas taxas ainda são muitos
superiores ás do mercado externo. Pelo contrário, deve estimular os
investidores a tirar o dinheiro do banco e aplicar na economia real. O que não
podemos esquecer é de manter o controle da inflação. O fato é que toda redução
é bem vinda, porque os juros altos ainda consomem uma boa parcela da renda da
população, sobretudo dos mais pobres que necessitam de crédito.
Varejo
vê chance de recuperação
São
Paulo. A Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) avalia que o novo
corte da Selic é importante para o varejo brasileiro, mas classifica que a
redução foi "tímida". "O ciclo de baixas da Selic abre espaço
para retomada do consumo interno mais forte, e, por consequência, a recuperação
do varejo brasileiro", cita o texto.
Apesar
da comemoração, a CNDL afirma que o corte dos juros poderia ter sido mais
ousado. "Apostávamos em uma queda de 0,75 ponto porcentual, até porque
existe atualmente uma necessidade urgente de aquecer o mercado interno, já que
as vendas de fim de ano mostraram um desempenho significativamente tímido em
2011", destacou o presidente da CNDL, Roque Pellizzaro Júnior.
´Locomotiva´
"Em
2012, o comércio será a locomotiva do crescimento econômico, avançando entre 4%
e 4,5%, algo como um ponto ou um ponto e meio porcentual acima do PIB (Produto
Interno Bruto)", prevê. Segundo o dirigente, o corte demonstra que o Banco
Central "está trabalhando para colar a política monetária à fiscal,
combinando reforço no crédito com desonerações de tributos para o
consumo". Para o presidente da CNDL, "uma ação mais ousada por parte
do Banco Central neste momento em que há real risco de contágio da economia
brasileira em função da fraca atividade na Europa e Estados Unidos poderia
sinalizar um claro recado ao mercado de que o Brasil está atento aos movimentos
externos, assim como entidades como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o
Banco Mundial".
"O
Brasil tem tudo para se manter distante do epicentro da crise, mas não há como
menosprezar o recado do FMI, que sinalizou com mais um resgate à Europa, de
quase US$ 500 bilhões, e o alerta do Banco Mundial, que classificou como ´risco
real´ a possibilidade de que as turbulências externas ocasionem uma crise
global similar à que ocorreu em 2008", avalia o dirigente.
Para
CNI, juro segue acima do padrão internacional
São
Paulo. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) avaliou que o novo corte de
0,50 ponto porcentual na taxa básica de juros, a Selic, anunciado ontem pelo
Copom, veio em linha com as avaliações da entidade sobre o desaquecimento da
atividade econômica e a tendência de convergência da inflação para o centro da
meta, de 4,5%.
No
entanto, a CNI destaca que o corte "ainda mantém os juros brasileiros
acima dos padrões internacionais, evidenciando a existência de espaço para
novas reduções".
Continuidade
"O
ambiente internacional de dificuldades das economias europeias continua gerando
incertezas e restrição de crédito, o que justifica a atenção do Banco Central
brasileiro com a liquidez e o custo do dinheiro no País. A CNI considera ser
necessário dar continuidade ao ciclo de redução dos juros, de modo a atenuar os
efeitos da baixa atividade mundial na economia brasileira e evitar novo
movimento de valorização cambial", diz a nota da CNI. A entidade defende
rigor na execução do orçamento de 2012.
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