Aumento
do IPI para veículos importados não é medida protecionista, diz Mantega
(Notícias Agência Brasil)
O
recente aumento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre os
veículos de fora do Mercosul não representa uma medida protecionista, disse
ontem (22) o Ministro da Fazenda, Guido Mantega. Ele participa em Washington do
encontro dos ministros de Finanças e presidentes dos bancos centrais do G20 -
grupo das 20 economias mais desenvolvidas do mundo.
Segundo
o Ministro, a elevação teve como objetivo aumentar a competitividade dos
automóveis brasileiros e estimular a produção interna. "Não é uma medida
protecionista", disse Mantega. "É uma medida que estimula
investimentos locais em tecnologia e que estão abertos a todos os países, a
todas as empresas. Não há nenhuma restrição a que nenhuma empresa faça isso no
Brasil", acrescentou o Ministro.
Na
semana passada, o governo brasileiro anunciou um aumento de 30 pontos
percentuais na alíquota do IPI para automóveis importados e também para aqueles
fabricados no Brasil cujas montadoras não usarem um mínimo de 65% de
componentes nacionais e não investirem em inovação. A medida, que deve ficar em
vigor até o fim do ano que vem, provocou protestos por parte de setores como
revendedoras e montadoras.
Mantega
não apenas rejeitou a alegação de protecionismo como defendeu o combate ao
aumento de tarifas comerciais, que tende a aumentar quando a economia global
entra em crise. "Nós devemos combater e temos combatido isso. Na crise de
2008, nós tivemos sucesso, porque não houve medidas protecionistas. E nós
deveremos continuar defendendo a liberdade de comércio para evitar o
protecionismo", declarou.
Nesta
quinta-feira, o Presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick havia expressado
preocupação com o risco de aumento de medidas protecionistas. De acordo com
ele, depois de um aumento durante o auge da crise econômica mundial, houve
queda no protecionismo no último ano, mas agora há o risco de que volte a
crescer. "Haverá a tentação de alguns países de começar a proteger suas
indústrias manufatureiras", disse Zoellick. "Não deixem os países
navegar para o protecionismo."
Em
relação à alta do dólar, que hoje chegou a ultrapassar R$ 1,90, a maior cotação
em mais de um ano, Mantega disse que esse é um movimento normal de aversão ao
risco. "Está ocorrendo uma desvalorização de praticamente todas as moedas
em relação ao dólar."
"Nós
estamos tendo um movimento paradoxal. Até recentemente, era o dólar que estava
se desvalorizando. Mas quando o risco aumenta, temos um movimento contrário.
Então eu vejo um movimento normal", concluiu o Ministro.
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