Suzlon
estuda fábrica no CE
Ceará
coloca-se em posição estratégica para receber a terceira fábrica de
aerogeradores do País
Maior
produtor de energia eólica do Brasil, o Ceará, coloca-se agora em situação privilegiada
para receber o que pode ser a terceira fábrica de aerogeradores do País. Peter
Hoberg, gerente de Serviço e Instalação da quinta maior empresa do mundo no
ramo, a indiana Suzlon, afirma que o Estado cearense poderá receber a unidade
fabril que a empresa planeja, em curto a médio prazo, instalar em terras
brasileiras.
"Nós
planejamos a planta no País, e ainda vamos escolher o local, mas, em um
primeiro momento, o Ceará é um bom candidato", adiantou, destacando a
ampliação dos investimentos em parques eólicos no Estado como fator
preponderante. Apesar de afirmar ainda não existir um prazo fechado para quando
o empreendimento será erguido, nem de quanto será o investimento, Hoberg disse
que a empresa já mantém conversações com o governo do Estado.
"Juntamente
com a China, o Brasil é um dos países mais interessantes para se investir em
energia eólica", afirmou o executivo. A realização do primeiro leilão de
energia dos ventos pelo governo federal, a ocorrer em 25 de novembro, sinaliza,
segundo o empresário, o interesse no País em se criar uma política mais intensa
e específica para o desenvolvimento do setor. Somente a garantia da
continuidade dos leilões justificaria, segundo ele e todos os investidores da
área, a instalação da fábricas de turbinas eólicas, que são máquinas de moderna
tecnologia e alto valor agregado.
A
Suzlon é fornecedora de todas as turbinas utilizadas nos parques eólicos da
Siif Énergies, que inaugurou ontem a maior usina do tipo atualmente em operação
no País, a Central Eólica de Formosa, em Camocim, com capacidade para 104,4
megawatts. Hoje, a Siif possui três parques no Ceará, e inaugurará mais um
ainda este mês, em Icaraizinho, e, no ano que vem, outro no Rio de Janeiro, que
será o maior da América Latina. No Ceará, os parques da Siif já representam 40%
de toda energia eólica produzida no território cearense.
A
Suzlon, hoje, possui 182 turbinas em 10 locais no Ceará. E, segundo Hoberg,
isto ainda é a fase inicial do desenvolvimento da cadeia eólica no Brasil.
Atualmente, apenas duas empresas produzem as turbinas eólicas no Brasil: a
fábrica da Wobben, em São Paulo, e a Impsa, em Pernambuco. As duas plantas,
entretanto, não são suficientes para dar conta de toda a demanda existente.
A
empresa indiana já havia demonstrado interesse em instalar uma fábrica no País
há dois anos, segundo mostrou matéria do Diário do Nordeste de 14/8/2007, e os
dois estados que disputavam a sua preferência eram o Ceará e Pernambuco. Os
pernambucanos já garantiram a sua fábrica, mesmo que de outros empreendedores.
Além
da Suzlon, uma outra empresa tem o interesse de construir uma planta de
aerogeradores no Ceará.
A
alemã Führlander já, inclusive, chegou a assinar um protocolo de intenções com
o governo estadual para erguer uma planta no Complexo do Pecém, onde já
funciona a Wobben, que fabrica, entretanto, somente pás e torres para
aerogeradores naquela unidade.
Questão
Tarifária
A
mudança da legislação brasileira para importação de máquinas para energia
eólica é um dos fatores que motivam a entrada de empresas do segmento no País,
segundo admite o executivo da Suzlon. Como agora os investidores precisam pagar
uma alíquota de 14% sobre a importação desses produtos - que antes era
inexistente - o mercado brasileiro se torna mais difícil para as empresas de
fora. Apesar disso, os players do setor são contrários a medida protecionista e
sugerem, ao contrário, uma revisão tarifária que reduza a oneração sobre
máquinas eólicas produzidas aqui.
O
planejamento de como poderá ser feito o Linhão, que interligará os parques
eólicos do Ceará, Piauí, Maranhão e Rio Grande do Norte, projeto que vem sendo
trabalhado pelos governos dos respectivos estados, deverá ser feito somente
após o leilão de energia eólica. É o que afirma o vice-presidente da Associação
Brasileira de Energia Eólica (Abeólica), Afonso Aguilar. "Hoje, é
praticamente impossível fazer o projeto econômico-financeiro do Linhão, porque
ainda não sabemos quem serão os vencedores do leilão", justifica.
Entretanto,
ele diz que as negociações vem sendo feitas com os governos estaduais e
federal, e há uma ambiência positiva para que o projeto possa ser concretizado.
"Tem
muitos parques que têm linhas indo na mesma direção, seguindo para uma
subestação.
Essas
linhas poderiam ser compartilhadas, seria o ICG, ou seja, a Instalação
Compartilhada de Geração. Isso reduziria sensivelmente os custos de instalação
dos parques eólicos", afirma Aguilar. De acordo com ele, os empreendedores
de energia eólica são os únicos que têm que pagar pela instalação das linhas de
transmissão sozinhos.
"Nós
estamos discutindo com o governo e não temos dúvida que chegaremos a um bom
termo", completou.
SÉRGIO
DE SOUSA
REPÓRTER
Fonte:
Diário do Nordeste
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