Cemig
espera retorno de 10% em Belo Monte
SÃO
PAULO (Reuters) - A Cemig espera um retorno de 10 por cento do investimento que
realizará na usina hidrelétrica de Belo Monte, por meio da Amazônia Energia,
empresa formada com a Light que entrou no bloco societário da usina.
"O
retorno vai ficar ao redor dos 10 por cento... É um retorno que hoje, se
olharmos os projetos que vem sendo construídos e propostos nos últimos anos, é
bastante atrativo. Somente a usina de Santo Antônio tem valores
superiores", disse o diretor de Finanças da Cemig, Luiz Fernando Rolla, em
teleconferência com jornalistas nesta quarta-feira.
A
Cemig e a Light anunciaram na noite de terça-feira que fecharam a compra de uma
participação de 9,77 por cento na Norte Energia, responsável pela usina
hidrelétrica de Belo Monte (PA), por meio de uma nova empresa , a Amazônia
Energia.
Rolla
acrescentou que a inclusão do projeto na linha de financiamento PSI (Programa
de Sustentação do Investimento), do BNDES, foi fator importante garantir a
atratividade do projeto.
O
valor do PSI para Belo Monte seria de 3,7 bilhões de reais, com prazo de 30
anos, e possibilidade de cobrir 85 por cento de itens financiáveis.
"Essa
parcela do financiamento foi um fator bastante decisivo no cálculo do retorno,
o que portanto nos convenceu de que o projeto é bastante atrativo para nós e que
fazia sentido do ponto de vista econômico", disse Rolla.
A
Norte Energia já recebeu empréstimo-ponte do BNDES, mas aguarda a aprovação do
empréstimo de longo prazo, que poderá cobrir até 80 por cento do investimento
total.
No
passado, a Cemig chegou a descartar a entrada no projeto, que hoje está orçado
em 25,8 bilhões de reais, por julgar que não seria atrativo para a companhia.
"No
primeiro momento, as avaliações que fizemos não foram suficientes para aprovar
no Conselho de Administração... Mas as mudanças nos permitiram uma condição
mais estruturada. Temos toda a convicção de que será um projeto extremamente
atrativo", disse o diretor.
Entre
os fatores que colaboraram para entrada da empresa no projeto estão a liberação
da licença ambiental de instalação, a nova estrutura societária, o empréstimo
ponte já liberado e que pode ser renovado, e o fato de os principais contratos
de construção e fornecimento para a obra já terem sido assinados.
A
usina hidrelétrica Belo Monte, no rio Xingu, terá 11.233 megawatts (MW) de
capacidade instalada e 4.571 MW médios de energia assegurada.
O
empreendimento vendeu 70 por cento da energia no leilão realizado em abril de
2010. Outros 20 por cento da energia da usina irão para o mercado livre e 10
por cento é a parcela destinada ao autoprodutor.
O
preço médio da energia de Belo Monte é de 100 reais por megawatt-hora (MWh),
segundo Rolla. Este valor considera o total da energia comercializada --
mercado regulado, mercado livre e autoprodução.
INVESTIMENTO
A
Amazônia Energia terá que aportar um equity (capital) estimado de cerca de 600
milhões de reais no empreendimento, ao longo de seis anos, o que não pesará nos
fluxos de caixa da Light e da Cemig, garantiu Rolla.
O
desembolso inicial será de 20 por cento, caindo para 6 por cento em 2012. Em
2013, o desembolso sobe para 20 por cento e chega ao ponto máximo em 2014,
quando será de 23 por cento. Em 2015 e 2016, os desembolsos serão de 20 por
cento e 11 por cento, respectivamente.
Segundo
o executivo da Cemig, nem a empresa nem a Light sofrerão pressão no caixa com o
investimento em Belo Monte e a política de pagamento de dividendos das empresas
está garantida.
"Tanto
para Light como Cemig, vamos ter um fluxo de caixa mais previsível e isso nos
garante recursos para continuar investindo no setor de geração", disse.
O
diretor de Finanças da Light, João Batista Zolini, acrescentou que a companhia
terá um impacto "mínimo" no fluxo de caixa como consequência do
investimento em Belo Monte, de 3 por cento a 7 por cento.
(Reportagem
de Anna Flávia Rochas)
© Thomson Reuters 2011 All rights
reserved.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
obrigado por sua participação retornarei em breve