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segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Primeira a ser privatizada, Usiminas dobrou de tamanho em 20 anos


Primeira a ser privatizada, Usiminas dobrou de tamanho em 20 anos
Responsável pelo crescimento do Vale do Aço após privatização, Usiminas consolida setor, constrói cidade e busca alternativas para continuar se expandindo
Em 24 de outubro de 1991, há exatos vinte anos, o Brasil começava a escrever mais um capítulo de sua história econômica – mas, para o supervisor de transportes internos Lauro Botelho, foi dia normal de trabalho na Usiminas. Enquanto ele cuidava para que máquinas e insumos chegassem aos galpões e altos-fornos, a companhia era vendida na Bolsa do Rio de Janeiro, por um valor próximo ao mínimo estipulado – de US$ 1,74 bilhão. Naquela quinta-feira, marcada por protestos contra a negociação da primeira grande siderúrgica brasileira, era colocado em prática o Programa Nacional de Desestatização, criado por lei no ano anterior.
De lá para cá, o governo vendeu outras indústrias, como a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN, em 1993); empresas estaduais, como a Light (1996); gigantes mundiais, como a Vale (1997); serviços de telefonia, como o sistema Telebrás (1998) e bancos, como o Banespa (2000) – num processo de desestatização que dura até hoje, com a concessão de aeroportos e hidrelétricas.
“As privatizações permitiram que essas empresas recebessem investimentos com os quais o governo não poderia arcar, num período em que a economia mundial evoluiu muito rapidamente”, acredita Alexandre Chaia, especialista em finanças do Insper.
A Usiminas acompanhou essa evolução. Cresceu a ponto de dobrar a produção, comprou outras siderúrgicas, como a Cosipa, em Cubatão (SP) e tornou-se a maior fabricante brasileira de aços planos. A produção saltou de 4 milhões de toneladas de aço bruto em 1991 para 7,3 milhões de toneladas em 2010. Chegou a ser de 8,7 milhões, antes da crise econômica internacional.
A empresa alavancou produção nacional, que saltou de 20,6 para 32,9 milhões de toneladas no período. Hoje, o Grupo Usiminas responde por 22,2% da produção de aço bruto brasileira. O valor de mercado da companhia agora bate em R$ 17 bilhões. “A Usiminas, a exemplo de outras siderúrgicas brasileiras, apresentou um desempenho melhor após sua privatização, em particular no que tange ao volume de investimentos”, diz o professor Germano Mendes de Paula, especialista no tema da Universidade Federal de Uberlândia.
Logo após a venda, os investimentos privados foram direcionados à otimização do parque instalado e à modernização das linhas de produtos. Na década passada, iniciaram-se grandes projetos, como a construção de uma nova planta de galvanização, o aumento da produção de chapas grossas e o novo laminador de tiras a quente na usina de Cubatão. Agora, a prioridade são investimentos em mineração – ao contrário da concorrente CSN, a Usiminas não é autossuficiente em minério de ferro, um de seus insumos mais importantes.
Em paralelo, a companhia investia em Ipatinga (MG), onde é chamada pelas pessoas apenas de “a usina”. Fundou o aeroporto, hospitais, escolas, shoppings, delegacias, bairros, necrotérios e um time de futebol, o Usipa, que chegou a ganhar do Cruzeiro de Tostão, em 1965, no Mineirão – depois, a Usiminas também ajudaria o Ipatinga a ser campeão mineiro (2005) e a chegar à primeira divisão do Brasileirão. “O crescimento do Vale do Aço se deu depois da privatização”, afirma o aposentado Elias Ferreira, supervisor de laminação de chapas grossas na época da venda da empresa, hoje com filho e genro trabalhando “na usina”.
A opinião de Elias é semelhante à de Lauro, citado no começo do texto – e parece ser a da maioria dos funcionários antigos. Primeiro, veio o susto, com a notícia de que a empresa estável onde trabalhavam seria privatizada. Depois, durante cerca de um ano, houve reuniões quase diárias entre supervisores e equipes para explicar que não ocorreriam demissões, perda de direitos e que os funcionários ainda ficariam com ações subsidiadas da companhia. "O processo foi muito bem feito; quando aconteceu o leilão, a grande maioria era favorável à mudança", lembra Lauro, hoje vice-presidente da Associação dos Metalúrgicos Aposentados e Pensionistas de Ipatinga. "Por isso, foi só mais um dia normal de trabalho", conta.

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