Receita
pretende limitar parcelamento de dívidas com a União após desistências do Refis
da Crise (Notícias Agência Brasil - ABr)
Para
impedir que grandes empresas se aproveitem dos parcelamentos para rolar as
dívidas com a União, a Receita Federal vai limitar a concessão de parcelamentos
ordinários. Segundo o Subsecretário de Arrecadação e Atendimento do órgão,
Carlos Roberto Occaso, o parcelamento deixará de ser concedido automaticamente
e passará a levar em consideração a capacidade de pagamento de cada
contribuinte.
Com
a medida, um grande contribuinte com condições de quitar os débitos à vista não
poderá mais alongar o pagamento da dívida."A Receita está elaborando um
sistema para comparar o passivo e a situação econômica e financeira do devedor.
Só concederemos o parcelamento a quem realmente não tenha condições de pagar
tudo de uma vez", disse Occaso.
Atualmente,
qualquer contribuinte com pendências com o Fisco ou com a Procuradoria-Geral da
Fazenda Nacional (PGFN) pode parcelar os débitos em até 60 meses (cinco anos).
Diferentemente das renegociações especiais, como o Refis da Crise, o
parcelamento ordinário não prevê desconto nas multas nem nos juros. "O
único benefício é o alongamento de prazo", explicou o Subsecretário.
De
acordo com Occaso, diversas empresas excluídas do Refis da Crise, renegociação
especial de dívidas com a União criado em 2009, têm aproveitado o parcelamento
ordinário para prolongar o pagamento das pendências. Ele ressalta que esse
comportamento se repetiu nos três parcelamentos especiais anteriores: o
Programa de Recuperação Fiscal (Refis), criado em 2000; o Parcelamento Especial
(Paes), de 2003, e o Parcelamento Excepcional (Paex), de 2006.
O
Subsecretário declarou que a limitação do parcelamento ordinário não depende de
mudanças na legislação. "O novo sistema pode ser aprovado por ato
administrativo. A lei que aprovou o parcelamento ordinário estabelece poder
discricionário da Receita para conceder o benefício", declarou.
"Em
todos esses parcelamentos especiais, 50% das empresas foram excluídas no fim da
primeira rodada. Isso indica que os contribuintes têm aderido não para
regularizar o parcelamento das dívidas, mas apenas para obterem benefícios
momentâneos, como a Certidão Negativa de Débitos".
Na
primeira versão do Refis, apenas 12,6% da dívida chegou a ser de fato parcelada
e apenas 2,89% foi quitada. No Paes, o parcelamento atingiu 12,4% do passivo
total e somente 2,4% foi liquidada. No Paex, os percentuais foram ainda
menores: 6,7% da dívida começou a ser renegociada e 1,3% foi paga.
Occaso
fez o anúncio ao divulgar o balanço do Refis da Crise. De acordo com o
levantamento da Receita, 63,25% dos 577,9 mil contribuintes que aderiram ao
parcelamento foram excluídos do programa porque deixaram de quitar parcelas ou
perderam o prazo para definirem as condições de pagamento. Esses optantes
apenas pegaram a CND e continuaram devendo ao governo.
Apesar
do percentual de desistência, o Refis da Crise está impulsionando o caixa do
governo federal em 2011. Segundo a Receita, o programa deve arrecadar R$ 16
bilhões em 2011, mais do que a receita de tributos como a Contribuição de
Intervenção no Domínio Econômico (Cide), com arrecadação de R$ 7,73 bilhões em
2010 e o Imposto Sobre Produtos Industrializados sobre as importações, que
somou R$ 11,3 bilhões no ano passado.
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