Atuação
do MPT contra trabalho escravo vai priorizar combate ao aliciamento, diz
procurador
Novo
coordenador da Conaete afirma que repressão ao trabalho degradante vai
continuar, mas órgão passará a enfatizar ações preventivas
São
Paulo – A atuação do Ministério Público do Trabalho contra o trabalho escravo
deve priorizar a prevenção dos abusos, afirma o procurador Jonas Ratier Moreno,
escolhido na última semana como novo dirigente da Coordenadoria Nacional de
Erradicação do Trabalho Escravo do Ministério Público do Trabalho
(Conaete-MPT), criada em 2002 para apurar os casos de trabalho degradante no
país. Em entrevista à Rede Brasil Atual, Jonas ressalta ainda que a ação
repressiva nas cadeias segmentadas, como de carvão, álcool e carne, devem ser
acentuadas em parceria com o Ministério do Trabalho e Emprego e a Polícia
Federal.
"Iremos
agir com mais rigor, principalmente na questão do aliciamento de trabalhadores
para que, na origem, o trabalho escravo seja combatido", diz o procurador.
Entre as medidas, o MPT destaca o combate ao tráfico de pessoas, acompanhamento
e regularização do transporte dos trabalhadores, intensificação e parcerias com
polícias e entidades regionais e a coibição de intermediadores da mão de obra –
os chamados "gatos" –, que prometem bons salários e inserem o
operário em uma rotina de trabalho extenuante e muitas vezes subumana.
O
ramo da pecuária, que registra grande quantidade de trabalhadores migrantes,
ainda responde pelo maior número de casos de condições análogas à escravidão,
sobretudo em estados como Pará, Maranhão e Mato Grosso. Segundo Jonas, a
submissão acontece em grande maioria por causa da grande taxa de analfabetismo
no campo.
O
procurador conta que existe no Mato Grosso um projeto piloto de prevenção ao
trabalho escravo, que inclui a tentativa de qualificar a mão de obra rural
"que vem dando resultados". A ideia é que o trabalhador libertado não
volte à situação análoga às de escravidão, casos que ocorrem frequentemente
devido à falta de opções e de orientação.
O
projeto é uma oportunidade para que ele não caia 'na rede' novamente",
afirma Moreno. "Infelizmente é o que mais acontece ainda, mas é uma
questão estrutural, que está ligada ao analfabetismo. Até para qualificar
melhor este trabalhador é complicado, porque ele não tem escolaridade",
lamenta. O MPT busca parcerias para ampliar a oferta de qualificação.
Construção
civil
Operários
de duas obras no interior de São Paulo, realizadas pela construtora MRV
Engenharia nas cidades de Americana e São Carlos, foram flagrados por ação de
fiscalização do MPT, que apontou diversas irregularidades. No caso de Americana, a precarização do
trabalho foi decorrente da terceirização dos serviços nas obras, que transferia
a responsabilidade trabalhista. Os cerca de 60 trabalhadores estavam com
salários atrasados e foi constatado aliciamento para a contratação de mais
operários.
Em
São Carlos, a fiscalização flagrou desrespeito a normas de segurança e saúde do
trabalho, como falta de proteção contra quedas, alojamentos inadequados e até
falta de higiene de colchões. O canteiro não tinha sequer um número apropriado
de chuveiros. Além disso, a maioria dos operários tiveram a carteira de
trabalho retida e estavam com salários atrasados, práticas que mantêm o
trabalhador atrelado às condições degradantes.
Um
levantamento feito pela Gerência Regional do Trabalho em Campinas mostrou que a
MRV teve 70 autuações entre 2007 e 2010, quase sempre por descumprimento de
normas de saúde e segurança do trabalho.
Com
informações da Agência Brasil
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