Chevron
deve receber multa milionária por vazamento no Brasil
A
Chevron não deve escapar de uma multa milionária quando terminar a investigação
sobre o vazamento de petróleo na área do campo Frade, na bacia de Campos. Magda
Chambriard, diretora da Agência Nacional do Petróleo (ANP), disse que só é
possível falar, no momento, em "multa potencial", cujo montante será
proporcional à infração e à capacidade financeira da empresa, conforme prevê a
legislação.
Continuam
existindo divergências entre as estimativas da Chevron para o total de petróleo
que chegou à superfície e as da ANP. Ontem, a Chevron divulgou uma nota
estimando que a mancha causada pelo vazamento de óleo tem atualmente volume
menor que 65 barris na superfície do oceano. Segundo a empresa, a mancha está
localizada a cerca de 120 quilômetros do litoral e continua se afastando da
costa.
A
diretora da ANP explicou que inicialmente a empresa informou que vazavam entre
meio e um barril por hora, o que se viu mais tarde ser um volume muito maior.
Ontem, a autoridade informou que o vazamento chegou a ser de 200 a 330 barris
por dia, bem mais do que a concessionária informou. E bem menos do que
calculava ontem o blog americano SkyTruth, que informou o vazamento de 3.738
barris por dia. "O volume acenado por esse blog não corresponde à
produtividade na área de Frade", explicou Magda.
O
vazamento começou depois de um acidente durante a perfuração de um novo poço a
150 quilômetros da plataforma de Frade. Houve um escape descontrolado de gás
("kick" no jargão técnico) durante a injeção do fluido de perfuração
pela plataforma semissubmersível Sedco706, da Transocean.
O
equipamento para prevenção de explosões (BOP na sigla em inglês) funcionou, mas
a manobra com o conjunto de válvulas afetou a circulação de lama no poço. Essa
movimentação ativou uma fratura na rocha que se comunicava com o poço e surgiu
uma fenda de aproximadamente 300 metros de extensão, por começou a vazar óleo.
Para
o deputado federal José Sarney Filho (PV-MA), "a Chevron claramente omitiu
informações" acerca do vazamento no campo de Frade. Presidente da Frente
Parlamentar Ambientalista e ex-ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho afirmou
que vai chamar a Chevron para prestar esclarecimentos em audiência pública na
Comissão de Meio Ambiente da Câmara. O convite à empresa deve ser aprovado na
próxima reunião da comissão, quarta-feira e, segundo o deputado, a Comissão de
Minas e Energia da Câmara deve fazer o mesmo convite.
Sarney
Filho e o deputado federal Doutor Aloísio (PV-RJ), que é membro da Comissão de
Minas e Energia da Câmara, estiveram ontem em uma reunião com o diretor-geral
da ANP, Haroldo Lima. Sarney Filho solicitou a reunião por acreditar que
"havia informações contraditórias sobre a quantidade de petróleo derramado
e acerca dos locais e causas" do vazamento. Segundo ele, a ANP calcula o
volume total do vazamento em 3.300 barris, cerca de 330 barris por dia. A ANP
acredita que o vazamento começou segunda-feira, dia 7 de novembro. "De
qualquer maneira, é muito acima do que a Chevron falou", disse o deputado.
As
maiores multas por vazamentos de óleo no Brasil foram pagas pela Petrobras em
2000. A estatal foi multada em R$ 50 milhões pelo vazamento de 1,3 milhão de
litros de óleo da Refinaria Duque de Caxias (Reduc) na baía de Guanabara, até
hoje considerado o maior acidente ambiental do país. No mesmo ano, a estatal
foi multada em mais R$ 50 milhões por causa de novo acidente na Reduc.
Fonte:
Valor Econômico/Por Cláudia Schüffner, Guilherme Seródio e Juliana Ennes | Do
Rio
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