'É
preciso um plano contra vazamentos', diz Lobão
Depois
do desastre, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, disse hoje que o
Brasil precisa ter um plano de contingência contra vazamentos de petróleo que
atenda às necessidades futuras de exploração no País, sobretudo para o pré-sal.
"Temos que ter um pano de contingência que corresponda às nossas
necessidades e que funcione", ressaltou Lobão.
Segundo
o ministro, foi instituída uma comissão interministerial - composta por
técnicos do Ministério do Meio Ambiente e do Ministério de Minas e Energia,
entre outros - que começou a trabalhar esta semana para revisar os estudos para
a elaboração de um plano de contingência para grandes vazamentos, como que ocorreu
no Campo de Frade, na Bacia de Campos.
Esses
estudos, segundo Lobão, vêm sendo desenvolvidos ao longo dos últimos dez anos e
tornaram-se "obsoletos", daí a necessidade de revisão dos
procedimentos. "Temos agora o pré-sal, coisa que não havia antes. Então,
esse plano terá que estar ajustado às perspectivas que se abrem para o
Brasil", defendeu.
A
decisão da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP)
anunciada na terça-feira à noite que suspendeu novas perfurações da companhia
no País, segundo o ministro, não afeta as atividades da Chevron nos outros
poços que a companhia explora no campo de Frade. "Eles foram suspensos
momentaneamente para a perfuração de novos poços. Eles podem continuar operando
o que já tem, que são cerca de 11 poços e continuam com a obrigação de resolver
todos os problemas", afirmou Lobão.
Lobão
admitiu que a Petrobras pode ter que arcar com prejuízos decorrentes da
paralisação do poço onde ocorreu o vazamento por ser sócia da Chevron no local,
com uma participação de 30%. O ministro disse que não tinha a informação se a
estatal teria de partilhar os gastos referentes às multas aplicadas em função
do acidente.
O
presidente da Chevron para África e América Latina, Ali Moshiri, disse hoje que
a mancha de óleo decorrente do vazamento já desapareceu. "A mancha já
desapareceu. Estamos de volta às operações normais", afirmou o executivo,
depois de uma reunião com o ministro. "No momento, tem menos de um décimo
de barril. Foi bem sucedida a operação", reforçou. O executivo disse que a
empresa cumprirá as determinações da ANP e do governo brasileiro em relação ao
incidente. "Vamos seguir a regulamentação brasileira", disse.
Enquadrado
- A reportagem apurou que o encontro de Moshiri com Lobão não foi tão amigável
assim. Segundo uma fonte, o executivo da Chevron iniciou o encontro com o
ministro apresentando queixas contra a ANP que vão desde as acusações de que a
companhia omitiu informações ao enviar imagens editadas do acidente à
reclamação de que a empresa soube da suspensão da autorização do órgão
regulador de novas perfurações pela imprensa, antes de ser notificada
oficialmente.
"A
manchete da CNN foi: Chevron não pode mais operar no Brasil. Uma empresa do
nosso porte não pode ser tratada dessa forma", teria dito Moshiri ao
ministro. Só depois que Lobão disse que o ministério não interferiria nas
decisões da ANP e que Moshiri estava deixando de lado o problema principal, ou
seja, o vazamento, é que o executivo da Chevron "baixou a bola",
segundo a fonte. "Temos que dar uma resposta à opinião pública",
teria advertido Lobão.
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