Governo
quer criar 42,5 mil vagas em penitenciárias
Para
evitar novas condenações internacionais ao Brasil por violações aos direitos
humanos, o governo quer, em três anos, criar 42,5 mil vagas no sistema
penitenciário com a liberação de R$ 1,1 bilhão para os governos estaduais
construírem e ampliarem os presídios já existentes.
Pelos planos do Ministério da Justiça no
Programa Nacional de Apoio ao Sistema Prisional, anunciado hoje, seriam criadas
15 mil vagas para mulheres, o que praticamente acabaria com a superlotação em
presídios femininos, e 27,5 mil vagas em cadeias masculinas destinadas a presos
que ainda aguardam julgamento final de seus processos. Hoje, há 52 mil homens
confinados em delegacias de polícia, que não têm estrutura para isso.
Dados oficiais mostram hoje haver déficit de
17 mil vagas em presídios femininos e de 138 mil nas cadeias masculinas
destinadas a presos provisórios. Hoje, há 35 mil mulheres presas, sendo 15 mil
por envolvimento com o tráfico de drogas, e 224 mil presos provisórios.
As vagas a serem criadas no programa e as 20
mil que já estão sendo abertos são, portanto, insuficientes para resolver o
problema. No entanto, conforme o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, as
obras darão condições "minimamente aceitáveis" para o sistema
carcerário.
Nos últimos 15 anos, os recursos do Fundo
Penitenciário Nacional (Funpen), alvo frequente de contingenciamentos, foram
suficientes para a criação de apenas 85.444 vagas no sistema penitenciário.
Portanto, em três anos o governo que fazer a metade do que o País fez desde
1995 até 2010. E o valor de R$ 1,1 bilhão representa praticamente todo o
orçamento utilizado do Funpen nos oito anos de mandato do governo Lula.
"Esse
é um programa ousado, porque esta se alocando quantidade gigantesca de recursos
para uma tarefa que não é simples", admitiu Cardozo. "Não é fácil
construir unidades prisionais, mas vamos organizar e cumprir esse programa e
seremos muito rigorosos. Esse projeto vai sair, sim, do papel para que
possamos, ao terminar nosso governo, entregar ao País um sistema prisional
minimamente aceitável", acrescentou. "Não se dará tratamento humano a
quem está preso se não ampliarmos o nosso sistema prisional", concluiu.
Cardozo informou que, além das 42,5 mil vagas
que esperam criar pelo programa, o governo concluirá obras contratadas no
governo Lula e que criarão outras 20.842 vagas. No total, o governo Dilma
Rousseff chegaria em 2014 com mais de 63 mil novas vagas em presídios.
Além das obras nos presídios, o governo
encaminhou três projetos de lei ao Congresso. O primeiro deles reduz a
burocracia para que um preso provisório tenha abatido do tempo de sua pena o
prazo que passou encarcerado a espera de julgamento. O segundo deles cria um
sistema informatizado e nacional de acompanhamento da execução da pena. Para
evitar prisões além do tempo necessário, o sistema avisaria o juiz responsável
pela execução da pena quanto o preso poderia ser solto. O terceiro projeto
garante que os filhos possam visitar os pais que estejam presos, mesmo que seja
um adolescente em conflito com a lei que esteja cumprindo medida
socioeducativa.
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