Para
Caixa, rombo do Panamericano foi 'surpresa'
À
imprensa, a Caixa Econômica Federal tem evitado comentários sobre a compra de
metade do Panamericano 10 meses antes de o Banco Central (BC) descobrir um
buraco de R$ 4,3 bilhões na instituição que pertencia a Silvio Santos. Mas, à
Polícia Federal, a Caixa falou. O vice-presidente de Finanças do banco, Márcio
Percival, disse à PF que o rombo foi uma "grande surpresa" e garantiu
que não houve pressão política do governo federal para a compra do
Panamericano.
As
informações estão em depoimento concedido pelo executivo na sede da PF em São
Paulo no dia 16 de setembro. Em resposta a um pedido de entrevista da
reportagem, a Caixa informou, por meio de uma nota, que "reitera sua
convicção na capacidade de o Banco Panamericano obter retornos financeiros e
competitivos por meio da geração de sinergia entre as duas instituições".
Além
de ocupar a vice-presidência de Finanças da Caixa, Percival é presidente da
CaixaPar, braço do banco público que comandou o processo que resultou na compra
de 49% do capital social do Panamericano por R$ 739,3 milhões.
No
depoimento aos policiais, Percival também negou ser amigo de Rafael Palladino,
que dirigia o Panamericano antes de as fraudes serem descobertas pelo BC. No
mercado financeiro, a impressão era diferente. Chamava a atenção de muitos
especialistas a proximidade do relacionamento entre os dois.
Segundo
Percival, a Caixa e as empresas contratadas para avaliar o Panamericano não
detectaram que o banco tinha o rombo contábil superior a R$ 4 bilhões. O
executivo disse ainda que a Caixa contratou o Banco Fator para fazer essa
análise. Segundo Percival, o Fator recontratou outras duas empresas (não
especificadas) para ajudar na tarefa.
Percival
afirmou aos policiais que a revelação das fraudes contábeis "foi uma
grande surpresa, pois o banco tinha todos os balanços semestrais aprovados pelo
Banco Central". Ele disse também que a decisão de compra do Panamericano
foi "estritamente empresarial, baseada em avaliação técnica e que deveria
sustentar o crescimento da Caixa para os próximos anos".
O
executivo garantiu que não houve nenhuma pressão política do governo federal
para a compra do Panamericano e disse desconhecer se algum agente público
recebeu vantagem indevida para influir na decisão.
?Não?
do Banco do Brasil. A aquisição da Caixa foi anunciada ao mercado no dia 1.º de
dezembro de 2009. Pouco mais de um ano antes, o Panamericano teve a maioria de
suas carteiras de crédito rechaçadas pelo Banco do Brasil, que também é
controlado pelo governo federal.
Na
ocasião, o Panamericano sofria com os efeitos da crise internacional e tentava
obter dinheiro no mercado por meio da venda dessas carteiras de empréstimos. O
Estado apurou que executivos do BB consideraram sofrível a qualidade das
carteiras oferecidas.
Documentos
do processo obtidos pela reportagem revelam ainda que ex-executivos do
Panamericano cogitavam, em trocas de e-mails, oferecer a instituição ao BB caso
a negociação com a Caixa fracassasse.
No
depoimento à Polícia Federal, Percival contou que foi procurado por Rafael
Palladino e Luiz Sebastião Sandoval (que presidia o Grupo Silvio Santos) em
setembro de 2008. Na época, segundo Percival, os dois disseram que tinham
interesse em vender parte do Panamericano.
Em
15 de setembro de 2008, a quebra do banco de investimentos Lehman Brothers fez
explodir a crise internacional, cujos efeitos são sentidos até hoje. As
informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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