Imposto menor para combustível de
aviões ajuda a evitar demissões no DF (Notícias Secretaria de Estado da Fazenda
do Distrito Federal)
A redução do imposto de combustível
para aviões, decidida pelo governo do DF em abril, permitiu à região
considerável estabilidade nos voos e nos empregos, em contraste aos problemas
da área em outros pontos do país, como disseram hoje especialistas do setor
aéreo.
"A primeira coisa a se
comemorar em Brasília é que (com a diminuição da alíquota) não houve demissões.
O momento é de maior austeridade administrativa das companhias, concentrando-se
nas operações mais rentáveis frente à alta dos custos", explicou à Agência
Brasília o presidente da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear),
Eduardo Sanovicz.
Há quatro meses, o governador
Agnelo Queiroz decidiu passar de 25% para 12% o Imposto sobre Circulação de
Mercadorias e Serviços (ICMS) aplicado no querosene para aviões no aeroporto
internacional Juscelino Kubitschek (JK).
De acordo com a Abear - que
representa as cinco maiores companhias aéreas do país (Tam, Gol, Avianca, Azul
e Trip)-, no Brasil, o abastecimento das aeronaves representa em média 40% do
custo de cada voo, mas em outros países é de 33%.
Frente aos gastos que enfrentam,
as empresas se veem obrigadas a revisá-los e muitas vezes a diminuí-los,
processo que acaba por levar a demissões.
Semana passada, por exemplo, a
TAM anunciou o corte de 400 empregados, em São Paulo. Para o especialista em
aviação civil da Universidade de Brasília (UnB), Adyr da Silva, a ação do
governo de Brasília foi estratégica e em boa hora.
Além disso, de acordo com dados
das companhias aéreas, entre maio e junho, a diminuição do ICMS fez o consumo
do combustível crescer 24%, o que refletiu no número de voos no JK.
Outro ponto positivo, de acordo
com a Abear, é que foram abertas 56 viagens no terminal de Brasília -entre
acréscimo de voos em rotas utilizadas, rotas totalmente novas e trajetos
especiais por demanda.
O presidente da associação
lembrou que "em outros aeroportos, rotas foram desativadas por não serem
rentáveis".
E o professor da UnB, por sua
vez, considerou que sem a decisão da gestão Agnelo Queiroz a cidade teria
muitos prejuízos, pois poderia ter queda expressiva de movimentação em seu
aeroporto.
"Brasília é um centro
econômico em que predomina o setor de Serviços, área que depende muito de
mobilidade (de pessoas transportadas). Se você restringir o número de
passageiros -por custo alto da tarifa ou retração na oferta de voos-
prejudicaria todo o setor", explicou Silva.
"Ter um dos principais hubs
(centros de concentração) para a malha aérea nacional, com tributação em
patamar razoável, reforça a atratividade do Distrito Federal (para as empresas
aéreas)", destacou Sanovicz.
Movimentação
Entre os quatro maiores
aeroportos do país em movimentação de passageiros (Congonhas, Cumbica, Galeão e
JK), apenas o Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos- também
concedido à iniciativa privada como o de Brasília - teve crescimento (+ 4,7%).
O terminal internacional do Galeão, no Rio de Janeiro, se manteve estável
(-0,2%); Congonhas, em São Paulo, e JK, em Brasília, apresentaram queda de
movimentação de 2,9% e 2,5%, respectivamente.
Mesmo com a tímida perda de
movimento em Brasília, o aumento da frequência de voos no terminal candango
mostra que, além da posição geográfica privilegiada, o combustível mais barato
torna o Aeroporto JK mais atraente e consolida Brasília como terceiro maior hub
do país.
Se comparados os dois meses
anteriores à redução do imposto para o combustível (fevereiro e março) com os
dois meses posteriores à medida (maio e junho), é possível verificar o
crescimento de 12,4% na movimentação de passageiros no JK. Os números passaram
de 2,3 milhões para 2,59 milhões de usuários.
Segundo o secretário de Turismo
do Distrito Federal, Luís Otávio Neves, o uso do transporte aéreo no DF cresceu
300% nos últimos anos e o cenário deve melhorar com a ampliação da oferta de
novos voos.
"Desde que o governador
tomou essa medida (de redução do ICMS), Brasília ganhou, por exemplo, voos
diretos para Argentina e Estados Unidos, que fazem parte no nosso mercado
prioritário por serem países que mais emitem turistas para a cidade",
destacou Neves.
Compensações
Estudada desde 2012, a redução de
alíquota do ICMS para o querosene no DF foi tomada em abril para frear as
perdas de movimento, com previsão inicial de renúncia tributária estimada em
R$131 milhões ao ano.
Mas o aumento do consumo, que foi
de 24% em quatro meses, possibilitou que mais dinheiro fosse recolhido, como
era o esperado pelo governo do DF.
"A recuperação de voos
acabou trazendo um movimento adicional e compensou, em partes, a renúncia. Este
ano, ela vai chegar a R$60 milhões apenas, que é abaixo do previsto",
anunciou o secretário de Fazenda, Adonias Santiago.
"O DF baixou o imposto, mas
ganhou em volume vendido, apostou na produção e não na tributação, dando
exemplo para o restante do país", comentou Sanovicz.
O secretário de Fazenda acrescentou
que a diminuição da alíquota provocou impactos indiretos, dado que um maior
número de voos significa crescimento no fornecimento de alimentos e outras
atividades no aeroporto.
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