ICMS
agronegócio: Santa Catarina mantém posição contrária à proposta de convênio do
Confaz (Notícias Secretaria da Fazenda do Estado de Santa Catarina)
Manutenção das
famílias no agronegócio é o principal argumento do Estado. Agroindústrias
apoiam a decisão
A Secretaria
de Estado da Fazenda de Santa Catarina manifestou nesta terça-feira (29) na
reunião virtual do Confaz - Conselho Nacional de Política Fazendária, posição
contrária à proposta de convênio 93/2013 apresentada aos Estados para
convalidação de benefícios fiscais e alteração de alíquotas de ICMS.
A
contrariedade do estado catarinense já havia sido manifestada em Brasília no
último dia 17, durante reunião presencial do Confaz, com os secretários de
Fazenda dos 27 estados. Segundo o secretário de Fazenda catarinense, Antonio
Gavazzoni, o principal motivo foi a mudança de alíquota para o setor
agropecuário, do qual dependem quase um milhão de pessoas em Santa Catarina.
"Nosso
estado tem cerca de um milhão de pessoas dependentes da produção agropecuária,
mas não é autossuficiente em insumos e precisa comprar de fora, em grande parte
do Centro Oeste. Hoje o setor agropecuário de SC compra os insumos com alíquota
de 12% e vende sua produção (frangos, por exemplo) também com 12%. Pela
proposta do Confaz, SC passaria a comprar com 7% e vender somente com 4%",
explica. Segundo Gavazzoni, o maior risco é que as grandes indústrias desloquem
suas unidades do Estado catarinense para locais produtores de insumos. "O
que defendemos, com aval do governador Raimundo Colombo, é que a alíquota seja
de 4% ou 7% para todos os Estados, como constava na proposta original da
reforma do ICMS", diz.
De acordo com
Gavazzoni, outro agravante é que, pelo convênio proposto, as operações se
tornam ainda mais complexas: "Se aprovado o texto, passaríamos a trabalhar
com oito alíquotas (veja tabela no final), que variam conforme origem,
destinatário e tipo de produto. Desse jeito não se faz unificação nem se acaba
com a guerra fiscal. A convalidação nos interessa, mas não a qualquer custo",
completou.
Respaldo da
agroindústria - Na última quinta-feira (24) a equipe da Fazenda se reuniu com
representantes da agroindústria catarinense e com o Grupo Especialista Setorial
do Agronegócio, que monitora a arrecadação do setor. Cálculos prévios apontam
que, com a diferença de alíquota entre o que é pago pelos insumos e o que
incide no produto catarinense, as perdas chegariam a R$ 6 milhões ao mês - ou
R$ 72 milhões por ano. Outros setores, como o têxtil, que compra algodão do
Centro Oeste, também serão afetados.
As indústrias,
representadas pelo Sindicarne (Sindicato das Indústrias da Carne e Derivados de
SC), JBS (ex-Seara), Pamplona, Aurora e Fiesc redigiram um ofício contra a
proposta de convênio que estabelece alíquota de 7% para as mercadorias
destinadas a SC e 4% para as saídas de SC, acarretando uma série de impactos
negativos para o Estado. O documento será encaminhado a parlamentares e
autoridades federais. "As agroindústrias, o Estado e a sociedade
catarinense são terminantemente contra a diferenciação de alíquotas proposta
pelo Convênio. Acreditamos que a equalização das alíquotas a 4% ou a 7% -
conforme o caso - minimizará consideravelmente as perdas para as agroindústrias
catarinenses", disse Ricardo Gouveia, presidente do Sindicarne.
O estado
catarinense possui o melhor status sanitário do país e sua produção agrícola
está baseada preponderantemente no regime familiar. Apesar de ser o maior
produtor de suínos do país e o segundo maior produtor de frango, Santa Catarina
não possui autossuficiência em grãos e depende dos insumos vindos
prioritariamente da região Centro Oeste a 7% - ao passo que outros Estados o
receberão a 4%. De acordo com os empresários, a diferença de alíquotas (entrada
a 7% e saída a 4%) fará com que as agroindústrias acumulem cada vez mais
créditos e que Santa Catarina perca ainda mais competitividade perante os
demais Estados produtores de grãos. "Essa desigualdade afetará a
competitividade das agroindústrias catarinenses e forçará sua migração para
estados mais competitivos", acredita Gouveia.
Ele alerta
ainda que, por ser uma commodity, o milho geralmente tem o mesmo preço, com ou
sem ICMS. Segundo ele, isso significa enfraquecimento dos programas de sanidade
animal do governo (aportes em troca de créditos presumidos). "A
necessidade de créditos presumidos desaparecerá por força do acúmulo natural de
créditos. Com isso os programas para fomento da produção local de milho, que
beneficiam milhares de pequenos produtores, também serão afetados, pois o
mecanismo de funcionamento é idêntico", explica.
Por todos
esses fatores, as empresas julgam que o convênio proposto pela maioria dos
estados via Confaz terá forte impacto social no Estado, já que boa parte da
produção das aves e suínos é feita em regime de parceria (integração),
basicamente em regime familiar.
Os
participantes da reunião lembraram ainda que, dentre os Estados da Região Sul,
Santa Catarina será o mais afetado, já que o Paraná, por exemplo, é
autossuficiente na produção de grãos e adicionalmente, ainda exporta o volume
excedente para outros Estados, e o Rio Grande do Sul tem pequeno déficit de
grãos, visto que lá as agroindústrias no Estado tem pequena representatividade,
quando se compara a Santa Catarina. Outro agravante para a agroindústria
catarinense, segundo os empresários, é que existe subsídio do governo para
redução do custo do frete de grãos para os Estados do Norte, Nordeste,
Centro-Oeste, Rio de Janeiro e Espirito Santo, muito superior ao subsídio
destinado a Santa Catarina. Enquanto o subsídio do frete é de 12% para
Norte/Nordeste e de 9% para o Rio de Janeiro, para Santa Catarina é de apenas
2%.
Por último, a
questão do gás natural preocupa o governo do Estado e as indústrias do
agronegócio, já que a diferenciação de alíquota de 12% para 10% poderá
significar, por exemplo, custos 2% menores para produção em São Paulo e no
Centro Oeste. Pela proposta do Confaz, o gás natural terá alíquota de 10% nas
saídas do Norte, Nordeste e Centro-Oeste para o Sul e Sudeste e nas saídas do
Sul e Sudeste para o próprio Sul e Sudeste; enquanto o ICMS será de 4% nas
saídas do Sul e Sudeste para o Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
Projeto de Lei
em debate no Senado - Paralelamente à proposta do Confaz, Santa Catarina avalia
o Projeto de Lei Complementar nº106, de autoria do senador Paulo Bauer, que
trata exclusivamente da compensação de perdas de alguns estados pela redução
das alíquotas interestaduais de ICMS. "Em termos gerais, o Projeto de Lei
é melhor que a proposta do Confaz, já que as alíquotas deverão ser estabelecidas
em 4% para todas as operações interestaduais, independente da origem, do
destino ou da mercadoria, mesmo que gradualmente. Nesse aspecto, o PL tem o
apoio de Santa Catarina, mas ainda assim, com todas as possíveis interferências
de outros estados, a única certeza que temos é que nosso estado sairá
perdendo", pondera Gavazzoni.
O Projeto de
Lei está pronto para ser votado na Comissão de Assuntos Econômicos - CAE, do
Senado Federal. Se virar Lei, o Projeto está condicionado à aprovação do convênio
do Confaz que convalida os benefícios sem autorização.
Quais são as
alíquotas propostas pelo convênio do Confaz:
A proposta
colocada em votação trata, em síntese, da convalidação ampla e geral dos
benefícios fiscais concedidos sem autorização do Confaz, condicionada à redução
das alíquotas interestaduais para:
· 4% nas
saídas do Sul e Sudeste para Norte, Nordeste e Centro-Oeste e para o Sul e
Sudeste;
Saídas do
Norte, Nordeste e Centro-Oeste para o Sul e Sudeste:
· 7% no caso
de produtos agropecuários e produtos industrializados naquelas regiões;
· 4% para os
demais produtos (simples comercialização);
Exceções:
· 10% nas
saídas da zona franca de Manaus;
· 7% para
produtos de informática da zona franca de Manaus;
· 4% nas
saídas da zona franca de Manaus para as Áreas de Livre Comércio;
Gás natural,
nacional ou importado:
· 10% nas
saídas do Norte, Nordeste e Centro-Oeste para o Sul e Sudeste e nas saídas do
Sul e Sudeste para o próprio Sul e Sudeste;
· 4% nas
saídas do Sul e Sudeste para o Norte, Nordeste e Centro-Oeste
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